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UE e China vivem ‘ponto de inflexão’ nas relações comerciais, diz Von der Leyen

Comércio, guerra na Ucrânia e exportações chinesas dominaram reunião em cúpula marcada por tensões diplomáticas em Pequim

Por Júlia Sofia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 24 jul 2025, 17h39 •
  • A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou nesta quinta-feira, 24, que as relações comerciais entre a União Europeia e a China atingiram um “ponto de inflexão”. A declaração foi feita após uma cúpula em Pequim que celebrou os 50 anos de relações diplomáticas entre os dois lados. O encontro, que contou com a presença do presidente chinês, Xi Jinping, e do premiê Li Qiang, teve sua duração reduzida para apenas um dia, a pedido do governo chinês.

    “Levantamos de forma franca e aberta nossas preocupações sobre comércio, investimentos e questões geopolíticas. Algumas soluções começaram a ser delineadas”, disse Von der Leyen, ao lado do presidente do Conselho Europeu, António Costa. A presidente reforçou que o foco do bloco é buscar uma solução negociada para os atritos e destacou que a relação com a China é independente de aproximações com outros parceiros internacionais, como os Estados Unidos.

    Segundo a agência estatal chinesa Xinhua, Xi Jinping já havia afirmado anteriormente que os desafios enfrentados pela Europa não têm origem na China. “Espera-se que o lado europeu mantenha o mercado de comércio e investimento aberto e se abstenha de usar ferramentas econômicas e comerciais restritivas”, declarou o líder chinês.

    Nos últimos meses, a UE tem adotado uma postura mais firme diante do desequilíbrio comercial com a China, sobretudo em relação à indústria de veículos elétricos. O bloco acusa Pequim de manter uma capacidade industrial excessiva, o que teria contribuído para um déficit comercial recorde de US$ 360 bilhões em 2024. Von der Leyen afirmou que o governo chinês reconheceu o problema da superoferta e demonstrou interesse em estimular o consumo interno.

    Os europeus também cobraram mais acesso ao mercado chinês e criticaram as barreiras às exportações, como os novos controles sobre minerais de terras raras — insumos cruciais para a indústria automotiva — que chegaram a causar paralisações em fábricas na Europa. Em resposta, o governo chinês defendeu as restrições como “alinhadas às práticas internacionais”, mas prometeu intensificar o diálogo sobre exportações estratégicas.

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    Outro tema sensível foi a guerra na Ucrânia. Von der Leyen reiterou o apelo europeu para que Pequim utilize sua influência e ajude a desencorajar o apoio russo ao conflito.

    Apesar das divergências, os dois lados emitiram uma declaração conjunta sobre o clima, prometendo cooperação em áreas como transição energética, controle de emissões de metano, mercado de carbono e tecnologias verdes.

    A cúpula aconteceu em meio a uma possível reaproximação comercial entre União Europeia e Estados Unidos. Bruxelas e Washington negociam a redução de tarifas de exportação para 15%, abaixo dos 30% ameaçados por Donald Trump.

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