Ucrânia tem 200 mil desertores e milhões driblam recrutamento, alerta ministro
Mykhailo Fedorov, novo chefe da pasta de Defesa, admite crise pela primeira vez e aposta em tecnologia para reduzir perdas no front
O novo ministro da Defesa da Ucrânia, Mykhailo Fedorov, afirmou nesta quarta-feira, 14, que cerca de 200 mil militares ucranianos estão ausentes sem autorização, ou seja, abandonaram suas unidades sem permissão oficial. Ele também revelou que aproximadamente 2 milhões de ucranianos são procurados por driblar o alistamento obrigatório.
As declarações foram feitas durante uma sessão no Parlamento ucraniano, momentos antes da votação que confirmou sua nomeação para o cargo. Trata-se da primeira vez que um integrante de alto escalão do governo de Kiev divulga publicamente a dimensão do problema de deserções e evasão ao serviço militar.
Aos 35 anos, Fedorov tornou-se o mais jovem ministro da Defesa da história da Ucrânia. Ele substitui Denys Shmyhal, que assumiu os postos de vice-primeiro-ministro e ministro de Energia. Antes da nomeação, Fedorov comandava o Ministério de Transformação Digital e teve papel central na ampliação do uso de drones e sistemas digitais no esforço de guerra.
Em seu discurso, ele afirmou que a escassez de efetivo reforça a necessidade de acelerar a modernização tecnológica das Forças Armadas. “Mais robôs significam menos perdas; mais tecnologia, menos mortes. A vida dos heróis ucranianos é o valor máximo”, declarou.
Após reunião com o novo ministro, o presidente Volodymyr Zelensky reconheceu a necessidade de “mudanças mais amplas” no sistema de mobilização e afirmou que o avanço tecnológico militar será uma das prioridades de Fedorov no cargo.
Com o conflito contra a Rússia se aproximando à marca de quatro anos, a Ucrânia enfrenta desgaste humano e material nas linhas de frente. Tropas ucranianas têm atuado em condições adversas, tentando manter posições estratégicas apesar da inferioridade numérica e da ausência de armamentos em várias regiões do combate.
Pela legislação ucraniana, homens entre 18 e 60 anos devem registrar-se para o serviço militar e portar documentação válida, embora apenas aqueles entre 25 e 60 anos estejam sujeitos à mobilização obrigatória. Durante a lei marcial, homens de 23 a 60 anos aptos ao serviço estão proibidos de deixar o país — ainda assim, dezenas de milhares conseguiram escapar ilegalmente pelas fronteiras com nações vizinhas.






