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Twitter, a trincheira de Trump

Nos quase dois meses entre a derrota e a nomeação de Biden pelo Colégio Eleitoral, presidente foi à rede cultivar a divisão política do país

Por Ernesto Neves Atualizado em 24 dez 2020, 09h19 - Publicado em 24 dez 2020, 06h00

Foram três anos de decretos presidenciais tangenciando as leis, esgarçamento de laços com aliados tradicionais, descarte sumário de regulações incômodas, reformulação da máquina do governo, mimos aos amigos e revanches contra os inimigos. Tudo em nome da “América em primeiro lugar” e “grande novamente”, motes que mobilizaram multidões e firmaram uma base de apoio que, por um momento, pareceu invencível. No quarto e último ano, veio a pandemia e a fórmula degringolou. Quando 20 de janeiro chegar, Donald Trump vai ter de sair da Casa Branca — mesmo que saia quicando. Nos quase dois meses entre a derrota e a nomeação de Joe Biden pelo Colégio Eleitoral, ele foi ao Twitter denunciar FRAUDE e MANIPULAÇÃO nas urnas praticamente todos os dias. Dedicou milhões de dólares dos cofres republicanos a recontagens que não deram em nada. Apoiou a tentativa de levar a anulação do pleito à Suprema Corte, que rejeitou a manobra tachada por detratores de ameaça à democracia. De quebra, cultivou até o último respiro presidencial a profunda divisão política que reparte a população em duas alas inimigas, cada uma com seus radicais dispostos a tudo.

Aos 74 anos, Trump sai do governo com a Covid-19, seu ponto fraco, grassando em todo o país, onde o número de mortos passa de 300 000, mais do que em toda a II Guerra Mundial — reflexo de sua gestão despreparada e sem disposição para encarar a realidade da pandemia. Conter o vírus com quarentenas rigorosas significava parar o país e despedaçar a economia. Trump apostou em fazer pouco dela, o PIB desabou do mesmo jeito e deu no que deu: 232 votos a seu favor no Colégio Eleitoral, contra 306 de Biden, números confirmados em uma apuração geralmente pró-forma que, neste ano, precisou ser cercada de inéditas medidas de segurança. Mas ele deixa uma herança, configurada em 74 milhões de eleitores que escolheram seu nome, só 7 milhões a menos dos que optaram pelo candidato democrata. Essa onda a seu favor fortalece o viés conservador e nacionalista do trumpismo, empenhado em combater “a elite” e dar as costas à política tradicional. O fosso entre os americanos não vai se fechar com a derrota eleitoral de Donald Trump. Pelo contrário — se depender dele, pode até se alargar.

Publicado em VEJA de 30 de dezembro de 2020, edição nº 2719


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