Trump, Temer e outros líderes já estão em Buenos Aires para reunião do G20

Americano deve protagonizar um dos momentos mais esperados da cúpula em encontro com o chinês Xi Jinping; brasileiro tem importância reduzida

Por Da Redação - Atualizado em 30 nov 2018, 09h53 - Publicado em 30 nov 2018, 09h12

Os líderes mundiais que participarão nesta sexta-feira e sábado, 30 e 1º, da reunião de cúpula do G20 já estão em Buenos Aires, na Argentina. O encontro entre China e Estados Unidos, assim como os conflitos entre Rússia e Ucrânia e as muitas críticas recebidas pela Arábia Saudita nos últimos meses prometem inflamar o evento.

As sessões plenárias da cúpula começarão oficialmente às 12h30 do horário local (13h30 em Brasília), quando o presidente argentino Mauricio Macri deve anunciar a abertura das reuniões. Enquanto isso, contudo, os líderes já se reúnem em encontros bilaterais privados.

O presidente Michel Temer chegou na noite de quinta-feira, 29, a capital portenha e foi recebido pelo presidente provisório do Senado argentino, Federico Pinedo. Em sua última cúpula do G2O, o emedebista tem importância reduzida e terá encontros bilaterais somente com os primeiros-ministros de Singapura, Lee Hsien Loong, e da Austrália, Scott Morrison.

Donald Trump também pousou em Buenos Aires na noite de quinta. O americano deve protagonizar um dos momentos mais esperados do evento, com um jantar de trabalho ao lado do chinês Xi Jinping.

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A reunião está marcada para a noite de sábado e espera-se que os dois líderes possam alcançar um acordo para frear a guerra comercial entre Estados Unidos e China. “Acredito que a China quer chegar a um acordo, e estou aberto, mas francamente, gosto do acordo que temos agora”, afirmou Trump antes de deixar a Casa Branca.

O americano já se reuniu com Macri na manhã desta sexta. Em uma breve coletiva antes do evento, Trump afirmou que tinha muito a conversar com seu colega, sobre “os velhos tempos, sobre comércio e questões militares”.

Um segundo encontro muito esperado para Trump, com o presidente russo Vladimir Putin, foi cancelado pelo americano na tarde de ontem. Segundo o líder, a forma agressiva como Moscou tratou três navios da Ucrânia que invadiram o Mar de Azov, próximo da Crimeia, no último final de semana desagradou os Estados Unidos.

Outros líderes com os quais Trump conversará em privado serão a chanceler alemã, Angela Merkel; os primeiros-ministros do Japão, Shinzo Abe, e da Índia, Narendra Modi; e os presidentes sul-coreano, Moon Jae-in, e turco, Recep Tayyip Erdogan.

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A expectativa é que o americano participe ainda da assinatura do renovado acordo comercial entre Estados Unidos México e Canadá, conhecido como T-MEC.

Theresa May e Angela Merkel

A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, também chegou a Argentina na quinta-feira. Sua visita ganha especial relevância por ser a primeira vez que um premiê britânico pisa na cidade desde a guerra travada pelos dois países em 1982, pela soberania das ilhas Malvinas, que foi vencida pelos ingleses.

A única vez que um chefe de governo britânico tinha visitado a Argentina anteriormente foi em 2001, quando o então primeiro-ministro Tony Blair esteve em Puerto Iguazú, no norte do país.

Além de participar da reunião de presidentes do G20 – à qual estão convidados também altos representantes de organismos como a ONU e o Fundo Monetário Internacional -, May terá vários encontros bilaterais, entre eles com o presidente argentino, Mauricio Macri.

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A premiê deve buscar apoio internacional ao seu questionado projeto de Brexit, após o acordo estabelecido com a União Europeia, antes que seja votado pela Câmara dos Comuns no dia 11 de dezembro. É esperado que May aborde também o caso do assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi e cobre Riad por mais explicações.

Já a chanceler alemã Angela Merkel teve problemas com seu voo e precisou adiar sua viagem para a manhã desta sexta.

O avião presidencial apelidado de “Konrad Adenauer” apresentou problemas técnicos quando sobrevoava a Holanda e precisou retornar à Colônia, na Alemanha. A chanceler já deixou seu país, mas deve perder o início da cúpula por conta do incidente.

Merkel, assim como o turco Recep Erdogan, participou de todas as reuniões do G20 desde a primeira, em 2008, em Washington. No poder desde novembro de 2005, ela já anunciou a decisão de não se candidatar às próximas eleições.

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Conflitos

Apesar de ter visto seu encontro com Donald Trump ser cancelado nesta quinta, Vladimir Puitn também deve ter protagonismo na cúpula. Sempre com diversas frentes abertas no âmbito internacional, o presidente russo chega ao G20 em meio à crise com a Ucrânia e pode enfrentar muitas críticas.

Outro conflito latente que deve gerar atenção internacional é o da morte de Jamal Khashoggi. O príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed Bin Salman, apontado pela CIA como mandante do assassinato, chega a Buenos Aires também como foco de críticas.

Sua reunião com o turco Recep Erdogan ainda não está confirmada, mas os dois líderes sinalizaram que poderia acontecer. Erdogan critica a falta de colaboração das autoridades sauditas no esclarecimento do assassinato.

Riad também está no centro do conflito no Iêmen. Os três anos e meio de lutas entre os rebeldes houtis, apoiados pelo Irã, e as forças do governo, escudadas pela coalizão liderada pela Arábia Saudita, destruíram a economia do real país e causaram aumento da inflação e desvalorização da moeda local.

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A comunidade internacional tem pressionado o governo saudita para desescalar a violência no país. Nos Estados Unidos, o Senado discute o fim do apoio americano à coalizão saudita, que também inclui países como Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Qatar e Bahrain. 

(Com EFE)

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