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Trump sugere que EUA ‘vão governar Venezuela’ por tempo indeterminado

Presidente americano afirma que novo governo só pode assumir quando for 'seguro e adequado', elogia Exército e chama Maduro de 'chefão do narcotráfico'

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 3 jan 2026, 13h56 • Atualizado em 3 jan 2026, 15h48
  • O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deu mais detalhes sobre a operação deste sábado, 3, que viu bombardeios em Caracas e levou à captura de Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores. Em coletiva de imprensa em sua residência na Flórida, o resort de luxo Mar-a-Lago, ele distribuiu elogios às Forças Americanas, chamou o ditador venezuelano de “chefão do narcotráfico” e declarou que “vamos governar” a Venezuela.

    “Este foi um dos ataques mais impressionantes e uma das demonstrações mais eficazes e poderosas do poderio e da competência militar americana na história dos Estados Unidos”, disse Trump. “Nenhuma nação no mundo conseguiria fazer o que os Estados Unidos conseguiram ontem, ou, francamente, em tão pouco tempo. Todas as capacidades militares venezuelanas foram neutralizadas quando os homens e mulheres de nossas Forças Armadas, trabalhando com as forças de segurança americanas, capturaram Maduro com sucesso na calada da noite.”

    Trump também disse que seu Exército estava pronto para “lançar um segundo ataque, muito maior, se necessário” e acrescentou que havia operações militares subsequentes em fase de planejamento, mas seu governo “provavelmente não precisará realizá-las”.

    O presidente americano afirmou ainda que os Estados Unidos governarão a Venezuela por enquanto, embora não tenha deixado claro como isso será feito, sob qual autoridade ou com que tipo de acordos.

    “Não queremos que outra pessoa assuma o poder e continuemos na mesma situação que tivemos nos últimos anos. Portanto, vamos governar o país. Vamos governar o país até que possamos fazer uma transição segura, adequada e justa”, disse Trump, sem estabelecer um prazo para a duração dessa transição de poder.

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    Questionado por jornalistas, ele deu mais (poucos) detalhes sobre o plano: altos funcionários de seu governo, incluindo o secretário de Estado, Marco Rubio, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, e o chefe do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, trabalhariam em “equipe” para ajudar a governar a Venezuela. “Nós vamos governar o país. Nós vamos reerguer o país”, disse Trump. “Essa equipe trabalhará com o povo venezuelano para garantir que a nação esteja bem administrada.”

    O chefe da Casa Branca não descartou a possibilidade de envolvimento militar, dizendo: “Não temos medo de colocar soldados em solo venezuelano”.

    Mais cedo neste sábado, a líder da oposição venezuelana María Corina Machado, Nobel da Paz de 2025, se manifestou sobre os ataques dos Estados Unidos à Venezuela afirmando que seu colega, Edmundo González Urrutia, “deve assumir de imediato seu mandato constitucional e ser reconhecido como comandante chefe das Forças Armadas Nacionais por todos os oficiais e soldados”. Ela foi barrada de concorrer, mas usou sua sua capacidade de mobilizar milhões de venezuelanos, incluindo a diáspora, para apoiar o diplomata de 76 anos, reconhecido internacionalmente como líder legítimo do país. O regime declarou a vitória de Maduro, apesar das evidências contrárias e das amplas acusações de fraude.

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    Durante a coletiva, Trump justificou os ataques ao afirmar que a liderança de Maduro era “horrível” e garantir que “queremos paz, liberdade e justiça para o grande povo da Venezuela”, citando aqueles que fugiram para os Estados Unidos.

    “Não podemos correr o risco de que alguém assuma o poder na Venezuela sem ter em mente o bem do povo venezuelano, depois de décadas disso. Não vamos deixar isso acontecer”, disse ele. “Estamos aqui agora, e vamos ficar até que uma transição adequada possa ocorrer”, completou.

    Citou María Corina Machado, mas para declarar que não conversou com a líder opositora e, respondendo a uma pergunta de jornalistas, dizer que “seria muito difícil para ela” assumir a liderança do país. “Ela não tem apoio na Venezuela. Ela é uma mulher muito simpática, mas não tem apoio”, enfatizou.

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    Em seguida, falou sobre as vastas reservas de petróleo da Venezuela, garantindo que petrolíferas americanas “vão entrar, investir bilhões de dólares, consertar a infraestrutura, que está em péssimo estado, e começar a gerar lucro para o país”.

    O presidente também lançou um alerta para os integrantes do regime Maduro que permanecem na Venezuela: na ausência do líder, “os Estados Unidos mantêm todas as opções militares” para futuras ações no país sul-americano.

    “Todas as figuras políticas e militares da Venezuela devem entender que o que aconteceu com Maduro acontecerá com elas se desafiarem os desejo dos Estados Unidos por uma liderança que sirva ao povo”, disse Trump, comemorando o fim da era do “ditador e terrorista”.

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    Segundo ele, seu secretário de Estado, Marco Rubio, telefonou neste sábado para a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez,  um diálogo durante o qual ela teria concordado em trabalhar com os Estados Unidos. (A situação é incerta: Trump afirmou que ela tomou posse como presidente, enquanto a imprensa americana reportou que a vice estaria na Rússia).

    “Ela teve uma longa conversa com Marco e disse que fará o que for preciso. Ela não teve escolha”, disse o presidente americano sobre Rodríguez.

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