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Trump receberá María Corina Machado na quinta-feira, anuncia Casa Branca

Primeiro encontro entre os dois ocorre após a queda do ditador Nicolás Maduro, levado preso pelos EUA há pouco mais de uma semana

Por Paula Freitas Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO , Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 12 jan 2026, 15h52 • Atualizado em 12 jan 2026, 16h01
  • O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se reunirá com a líder da oposição da Venezuela, María Corina Machado, na próxima quinta-feira, 15, anunciou um funcionário da Casa Branca. O primeiro encontro entre os dois ocorre após a queda do ditador Nicolás Maduro, levado preso pelos EUA há pouco mais de uma semana. Machado não poupou elogios a Trump pela operação em Caracas, embora o republicano tenha ignorado seus apelos para que Edmundo González, que teria vencido as eleições de 2024, assuma o poder.

    Ela lidera a oposição da Venezuela desde 2023, quando venceu as primárias para disputar o pleito de julho do ano seguinte contra Nicolás Maduro. Sua candidatura, porém, foi barrada por uma manobra do regime, e ela endossou o desconhecido diplomata Edmundo González Urrutia para representar a ala oposicionista. Apesar de acusações de fraude e evidências contrárias, Maduro declarou-se reeleito e, em janeiro do ano passado, tomou posse para um novo mandato de seis anos.

    Em entrevista ao jornal espanhol Infobae na semana passada, Machado comemorou a deposição forçada de Maduro no sábado 3, definindo o incidente como “um passo gigantesco rumo à liberdade, à justiça, à reunificação dos venezuelanos e ao desmantelamento de toda uma estrutura de terror e maldade”. No entanto, reiterou o pedido para que a transição de poder seja realizada o mais breve possível e afirmou que o primeiro passo seria “a libertação imediata e incondicional de todos os presos políticos, todos eles”. Ela também agradeceu a Trump.

    “Somos profundamente gratos ao Presidente Donald Trump. Chegar até aqui exigiu visão, coragem e decisão. O Presidente dos Estados Unidos fez isso em benefício de seu povo, de seus eleitores, do povo dos Estados Unidos, mas também em benefício dos venezuelanos e de toda a América”, disse ela.

    “Ou seja, vamos transformar a América, e estamos vendo esse movimento acontecer em um hemisfério onde não haverá regimes comunistas, ditatoriais ou narcoterroristas. Porque pode ter certeza, Lucas (nome do repórter), que assim que terminarmos de libertar a Venezuela, libertaremos Cuba, libertaremos a Nicarágua”, adiantou. Nos últimos dias, Trump ameaçou cinco territórios ao redor do mundo.

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    Questionada sobre a reação de líderes estrangeiros, que em grande parte condenaram a decisão de Trump por violar o direito internacional, a engenheira apontou para a ilegitimidade de Maduro. As eleições presidenciais venezuelanas de 2024 foram marcadas por acusações da oposição de que o regime chavista havia manipulado os resultados e que, na verdade, Edmundo González teria sido o escolhido pela população. O Conselho Nacional Eleitoral (CNE), embora pressionado pela oposição e pelos eleitores, nunca divulgou as atas do pleito.

    + O que María Corina Machado disse a VEJA sobre uso da força para derrubar chavismo

    Encontro com o papa

    O papa Leão XIV se reuniu no Vaticano nesta segunda-feira, 12, com Machado. De acordo com seu partido, a ex-deputada pediu que o pontífice intercedesse pela libertação dos cerca de mil presos políticos detidos na Venezuela e pelo avanço rápido de uma transição para a democracia em seu país.

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    “Hoje tive a bênção e a honra de poder ter uma troca com Sua Santidade e expressar nossa gratidão por sua atenção ao que está acontecendo em nosso país. Também lhe transmiti a força do povo venezuelano, que permanece firme e em oração pela liberdade da Venezuela, e pedi que intercedesse por todos os venezuelanos que continuam sequestrados e desaparecidos”, comentou María Corina, que também se reuniu com Pietro Parolin, Secretário de Estado da Santa Sé (o diplomata foi núncio apostólico na Venezuela entre 2009 e 2013).

    Segundo comunicado, Machado expressou a Leão a importância da expressão da vontade popular em 28 de julho de 2024, o que, disse a líder oposicionista, reafirma a legitimidade do presidente González. Ela acrescentou que, “com o apoio da Igreja e a pressão sem precedentes do governo dos Estados Unidos, a derrota do mal no país está mais próxima do que nunca”.

    Na semana passada, em seus primeiros comentários sobre a ação dos Estados Unidos em Caracas, o primeiro americano a comandar a Igreja Católica pediu que a Venezuela permaneça um país independente. Ele apelou para que a comunidade internacional “respeite a vontade” dos venezuelanos e apelou para a proteção dos direitos humanos e civis no país, em meio ao cenário de instabilidade política.

    Leão também criticou o uso da força militar como instrumento de política externa e afirmou ver “com particular preocupação” o enfraquecimento de organismos internacionais diante de crises e guerras. “A diplomacia do diálogo está sendo substituída por uma diplomacia baseada na força. A guerra voltou à moda, e um zelo belicista se espalha pelo mundo”, afirmou.

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