Oferta Relâmpago: VEJA por apenas 9,90

Trump fala em ‘grande’ progresso com Ucrânia, mas impasse segue; Rússia evita se posicionar

Depois de Washington e Kiev concordarem que acordo de paz manterá a 'soberania plena' ucraniana, questão da concessão de terras continua em aberto

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 24 nov 2025, 09h36 •
  • A proposta de paz para acabar com a guerra da Ucrânia, montada pelos Estados Unidos com ajuda de um enviado russo, começou a ser alterada em negociações no domingo 23 depois de Kiev rejeitar o texto como está pelo teor pró-Rússia dos termos. Nesta segunda-feira, 24, o presidente americano, Donald Trump, falou em um “grande progresso” nas tratativas e disse que “algo bom pode estar acontecendo”, mas vários impasses, em especial em torno da concessão de territórios ucranianos ao agressor, continuam.

    “Será mesmo possível que um grande progresso esteja sendo feito nas negociações de paz entre a Rússia e a Ucrânia??? Não acreditem até verem, mas algo bom pode estar acontecendo. DEUS ABENÇOE A AMÉRICA!”, escreveu Trump em uma publicação nas redes sociais.

    No domingo, Washington e Kiev publicaram uma declaração conjunta após o início de tratativas em Genebra, afirmando que qualquer acordo futuro “deve respeitar integralmente a soberania da Ucrânia e garantir uma paz justa e sustentável”. As partes informaram que elaborou um plano de paz “atualizado e aprimorado”.

    Nesta segunda, em discurso por vídeo ao Parlamento sueco, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou, porém, que ceder território de seu país à Rússia segue como o “principal problema” após as negociações.

    “(Vladimir) Putin quer reconhecimento legal para o que roubou. Isso violaria o princípio da integridade territorial e da soberania”, disse ele aos parlamentares, insistindo que “fronteiras não podem ser alteradas pela força”.

    Continua após a publicidade

    “Mantenham a pressão sobre a Rússia. A Rússia ainda está matando pessoas”, concluiu em apelo às nações europeias.

    Líderes europeus criticaram o plano quando ele surgiu na semana passada, dizendo que era favorável demais à Rússia. Embora os Estados Unidos tenham atestado que “revisões e esclarecimentos” foram feitos ao plano em Genebra, Moscou disse que ainda não recebeu nenhuma atualização e evitou se posicionar sobre as mudanças.

    Em declaração nesta manhã, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que o governo Putin tem acompanhado as discussões e entende que “alguns ajustes” foram feitos nos planos de paz que a Rússia havia recebido anteriormente. Mas acrescentou: “Até agora, não recebemos nada oficialmente”. Ele também afirmou que não há planos para conversas entre a Rússia e uma delegação americana sobre a questão da Ucrânia nesta semana.

    Continua após a publicidade

    O que está na versão original do plano?

    Inspirado no plano de 21 pontos para a paz em Gaza, este tem 28, que no seu conjunto preveem o cumprimento de uma série de exigência maximalistas de Moscou, em espécie de rendição de Kiev, segundo apuração do portal Axios e das agências de notícias AFP e The Associated Press.

    De acordo com documentos preliminares, a Ucrânia cederia a região de Donbass à Rússia, uma exigência antiga de Moscou. “Crimeia, Luhansk e Donetsk serão reconhecidas como território russo de fato, inclusive pelos Estados Unidos”, diz o texto. Kiev ainda controla parcialmente as regiões de Luhansk e Donetsk, que juntas formam o cinturão industrial de Donbass, na linha de frente da guerra. A Crimeia foi anexada pela Rússia em 2014.

    Segundo a proposta, as áreas de onde a Ucrânia recuaria em Donetsk seriam consideradas uma zona desmilitarizada, na qual as forças russas não entrariam. Enquanto isso, as regiões de Kherson e Zaporizhzhia, no sul – que a Rússia alega ter anexado –, teriam as linhas de frente “congeladas”, efetivamente dando aos russos o controle das terras que já ocupa. Nelas está a usina nuclear de Zaporizhzhia, que, controlada por Moscou desde 2022, passaria para a supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão de fiscalização nuclear das Nações Unidas. A eletricidade produzida lá seria compartilhada entre a Rússia e a Ucrânia.

    Continua após a publicidade

    Na área de segurança, plano exige que a Ucrânia reduza seu exército quase pela metade, para 600 mil soldados. A Otan concordaria em não enviar soldados à Ucrânia – frustrando as esperanças de Kiev de ter uma força europeia de manutenção de paz – e o país seria impedido de ingressar na aliança militar ocidental. O ponto também está de acordo com condições da Rússia, e contraria as exigências anteriores dos ucranianos.

    A Ucrânia receberia “garantias de segurança confiáveis”, mas sem especificar quais. O plano concede que aviões europeus seriam estacionados na vizinha Polônia.

    Na área de diplomacia, Moscou seria “reintegrada à economia global” após quase quatro anos de duras sanções, inclusive com sua readmissão no G8 (hoje G7, grupo das sete maiores economias do mundo). “Espera-se que a Rússia não invada os países vizinhos e que a OTAN não se expanda ainda mais”, afirma o documento. Caso houvesse uma nova invasão à Ucrânia, todas as sanções seriam restabelecidas novamente – “além de uma resposta militar decisiva e coordenada”.

    Continua após a publicidade

    Ademais, US$ 100 bilhões em ativos russos retidos em bancos europeus seriam destinados à reconstrução da Ucrânia, enquanto os fundos congelados restantes seriam direcionados a um fundo de investimento russo-americano separado, “com o objetivo de fortalecer as relações e aumentar os interesses comuns para criar um forte incentivo para não retornar ao conflito”.

    O plano afirma ainda que a Ucrânia realizaria eleições em até 100 dias, e que tanto Kiev quanto Moscou implementariam “programas educacionais em escolas e na sociedade com o objetivo de promover a compreensão e a tolerância a diferentes culturas e eliminar o racismo e o preconceito”.

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    Domine o fato. Confie na fonte.

    15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

    OFERTA LIBERE O CONTEÚDO

    Digital Completo

    A notícia em tempo real na palma da sua mão!
    Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    MELHOR OFERTA

    Revista em Casa + Digital Completo

    Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 7,50)
    De: R$ 55,90/mês
    A partir de R$ 29,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).