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Trump envia ‘czar da fronteira’ a Minnesota em meio a mortes e protestos contra o ICE

Tom Homan assume supervisão do Serviço de Imigração e Alfândega no estado

Por Júlia Sofia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 26 jan 2026, 15h44 •
  • O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enviou a Minneapolis seu assessor apelidado de “czar da fronteira”, Tom Homan, para assumir a supervisão das operações do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) no estado de Minnesota, em meio a investigações sobre mortes ocorridas durante ações de fiscalização migratória e ao aumento da pressão política e social contra o governo.

    O anúncio foi feito pela Casa Branca nesta segunda-feira, 26, após a morte de um segundo cidadão americano durante protestos contra operações do ICE no estado. Em nota, a porta-voz do governo, Karoline Leavitt, informou que Homan ficará responsável por “gerenciar as operações do ICE em Minnesota para continuar prendendo os piores imigrantes ilegais criminosos”. Segundo ela, a missão também inclui a coordenação de investigações sobre supostos casos de corrupção envolvendo instituições de caridade em Minneapolis ligadas à grande diáspora somali.

    Em publicação separada, Trump afirmou que Homan “não esteve envolvido diretamente na área, mas conhece e gosta de muitas das pessoas de lá”. “Tom é rigoroso, mas justo, e se reportará diretamente a mim”, escreveu o presidente.

    ‘Czar da fronteira’

    Ex-agente da Patrulha de Fronteira, Tom Homan foi encarregado por Trump de cumprir a promessa de realizar a maior campanha de deportação da história dos Estados Unidos logo no início do segundo mandato. Conhecido pela linha dura contra a imigração irregular, ele foi uma das figuras centrais da política de separação de famílias durante o primeiro governo Trump e, atualmente, responde diretamente ao presidente pela fiscalização das fronteiras terrestres, aéreas e marítimas do país.

    A decisão é vista como um ajuste na estratégia migratória do governo. Até agora, a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, vinha priorizando os números totais de deportações, transferindo para a Patrulha da Fronteira funções tradicionalmente exercidas pelo ICE. Homan, que comandou a agência durante o primeiro mandato de Trump, defende uma abordagem mais direcionada, com foco na detenção e remoção de imigrantes em situação irregular com antecedentes criminais.

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    Noem elogiou publicamente a nomeação. Segundo a secretária, Homan “tem sido um grande trunfo para a equipe” e ajudará tanto nas investigações de fraudes em larga escala quanto na remoção de “ameaças à segurança pública e imigrantes ilegais criminosos violentos” das ruas de Minneapolis.

    O envio de Homan ocorre em meio ao aumento da indignação pública após a morte do enfermeiro Alex Pretti, baleado por agentes de imigração durante uma operação em Minneapolis, no sábado. Autoridades do Departamento de Segurança Interna afirmaram que Pretti estava armado e que o uso de força letal foi justificado. Vídeos que circulam nas redes sociais, no entanto, não mostram a vítima exibindo a arma, e ele possuía porte legal, conforme a legislação de Minnesota, o que ampliou os questionamentos sobre os protocolos adotados pelos agentes.

    Essa foi a segunda morte resultante de ações do ICE em Minnesota desde o início de 2026. No dia 7 de janeiro, um agente atirou e matou a escritora Renée Nicole Good em Minneapolis durante uma operação de fiscalização. Apesar de a morte da mulher ter gerado uma série de protestos na região, Trump defendeu as ações do ICE, afirmando que Good “se comportou de maneira horrível” e atropelou o homem.

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    Além dos episódios fatais, as ações do ICE no estado passaram a ser alvo de críticas após a detenção de crianças durante operações de imigração. Na semana passada, agentes federais detiveram quatro menores ligados à rede pública de ensino de Columbia Heights, incluindo uma criança de cinco anos de idade. Segundo relatos do distrito escolar, o menino foi levado junto com o pai a um centro de detenção no Texas, mesmo após familiares e adultos responsáveis se oferecerem para ficar com a criança.

    O ICE afirmou que as crianças não eram o alvo das ações e que as detenções ocorreram no contexto de operações contra adultos em situação migratória irregular.

    Em entrevista ao Wall Street Journal, Trump afirmou que o governo está apurando os episódios envolvendo os tiroteios e evitou comentar se os agentes seguiram os protocolos. “Estamos analisando, revisando tudo e chegaremos a uma decisão”, disse.

    Parte dos assessores de Trump na Casa Branca passou a ver a situação em Minneapolis como um problema político crescente. O estado se tornou um barril de pólvora devido à fiscalização migratória, com protestos e manifestações contrárias de autoridades locais. Há receios de que a opinião pública se volte contra o presidente devido às ações do ICE, e discussões estão em andamento sobre como dar prosseguimento às deportações sem entrar em conflito com os manifestantes.

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