Trump diz que presidente interina da Venezuela pagará ‘preço maior que Maduro’ se resistir
Ameaça ocorre após Delcy Rodríguez afirmar que Venezuela 'nunca mais será uma colônia'
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo, 4, que a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, pagará “um preço muito alto” se não cooperar com as determinações americanas. A declaração ocorre no dia seguinte à prisão de Nicolás Maduro, capturado em Caracas e levado a um centro de detenção em Nova York. Vice-presidente venezuelana, Rodríguez foi reconhecida no início da tarde para ocupar a presidência do país latino-americano pelos próximos 90 dias pelas forças armadas locais.
Em entrevista à revista americana The Atlantic, Trump disse que se Rodríguez “não fizer o que é certo, vai pagar um preço muito alto, provavelmente maior do que Maduro”. Horas antes, no sábado, 3, o presidente havia adotado postura diferente. Trump elogiou Rodríguez por indicar, em conversa reservada, estar disposta a trabalhar em conjunto com o governo americano para o futuro da Venezuela.
Sua posição mudou porque, pouco depois, a agora presidente interina do país disse estar “pronta para defender nossos recursos naturais” e dar continuidade às políticas de Maduro. “Nunca mais seremos uma colônia”, afirmou.
Em resposta, Trump chamou a Venezuela de “um país falido” e “um desastre em todos os sentidos”. A ameaça mais recente, contudo, indica a possibilidade de novas incursões americanas contra o território venezuelano, em meio aos planos do líder americano de controlar a exploração de petróleo e conduzir o futuro político no local.
Na mesma entrevista ao The Atlantic, Trump deixou em aberto ainda a possibilidade de uma invasão à Groenlândia, ilha que pertence à Dinamarca e que rejeitou reivindicações territoriais americanas. Para o presidente, o local está “cercado por navios russos e chineses” e deve ser controlado. “Nós precisamos da Groenlândia, com certeza. Precisamos dela para a defesa”, projetou.
Reconhecimento oficial
O reconhecimento de Delcy Rodríguez como presidente interina da Venezuela foi feito em comunicado televisionado do ministro da Defesa local, Vladimir Padrino. O chefe do exército venezuelano referendou a decisão da Câmara Constitucional da Suprema Corte da Venezuela, que reforçou o mandato interino de Delcy Rodríguez.
Durante o seu pronunciamento, o ministro afirmou que os seguranças de Maduro foram assassinados a sangue frio pelo exército americano. Ele disse ainda que o país está sob controle e que os cidadãos devem voltar as suas atividades matinais.
“Apelo ao povo da Venezuela para que retome suas atividades de todos os tipos, econômicas, laborais e educacionais, nos próximos dias”, disse o ministro da Defesa. “Exigimos o retorno de Maduro e da primeira-dama”, disse López. “Este é um ato de agressão contra o legítimo presidente da Venezuela e a primeira-dama.”
A prisão de Maduro
Levado para os Estados Unidos depois de ser capturado em Caracas, o ditador venezuelano Nicolás Maduro está preso desde a noite deste sábado, 3, no Centro de Detenção Metropolitano em Nova York. Antes, no entanto, ele passou por um escritório da Agência Antidrogas americana (DEA), onde teve de registrar sua ficha criminal. O protocolo aconteceu na chegada de Maduro ao Aeroporto Internacional Stewart. Lá, deixou algemado a aeronave em que estava, cabisbaixo e vestindo uma blusa azul, cercado por agentes, em cena que circula pelas redes sociais.
Já com um casaco preto e touca, mas ainda sob a custódia de agentes do FBI, a polícia federal americana, Maduro apareceu pouco depois no interior do centro de detenção, para onde foi levado de helicóptero, após deixar o aeroporto. Um vídeo mostra sua caminhada por um dos corredores do local com cumprimentos aos agentes. “Boa noite! Feliz Ano Novo!”, disse o venezuelano. Todo o trâmite desde sua captura até a chegada à prisão durou menos de 24 horas, com parte do trajeto feito também com um navio, ainda no Mar do Caribe.






