Trump diz que Irã ‘quer muito um acordo’ e conversas continuam; Teerã nega: ‘Fake news’
Mais cedo, presidente dos EUA afirmou que teve 'conversa produtiva' com o Irã e anunciou pausa em ataques aéreos a usinas e instalações nucleares do país
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta segunda-feira, 23, que é de interesse mútuo chegar a um acordo para o fim da guerra no Irã, iniciada em fevereiro. Pouco após anunciar uma pausa de cinco dias aos ataques aéreos contra usinas e a infraestrutura energética iranianas, o republicano afirmou que Washington e Teerã têm “pontos importantes de concordância”.
“Eles querem muito fechar um acordo – nós também gostaríamos de fechar um acordo”, disse Trump a repórteres, acrescentando: “Vamos nos reunir hoje, provavelmente por telefone”.
O líder americano informou, ainda, que o seu enviado para o Oriente Médio, Steve Witkoff, e seu genro, Jared Kushner, participaram das negociações — que foram negadas pelo Irã. No sábado, Trump havia ameaçado “obliterar” usinas de energia do Irã caso o Estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo e gás consumidos no planeta, não fosse totalmente reaberto em até 48 horas. Um ataque às instalações energéticas iranianas seria considerado uma escalada significativa na guerra que os dois países travam há mais de três semanas.
+ Trump elogia presidente da Venezuela e diz que espera encontrar ‘alguém como ela’ para o Irã
Pausa nos bombardeios
Nesta segunda, contudo, mudou de tom. Em publicação na Truth Social, rede social da qual é dono, Trump alegou que os dois lados tiveram “conversas muito boas e produtivas sobre uma resolução completa e total de nossas hostilidades no Oriente Médio”. No entanto, enfatizou que a pausa está sujeita ao “sucesso” das reuniões e discussões em andamento.
“Tenho o prazer de informar que os Estados Unidos da América e o Irã tiveram, nos últimos dois dias, conversas muito boas e produtivas a respeito de uma resolução completa e total de nossas hostilidades no Oriente Médio”, escreveu Trump.
Com base no teor e no tom dessas conversas aprofundadas, detalhadas e construtivas, que continuarão ao longo da semana, instruí o Departamento de Guerra (de Defesa) a adiar todos e quaisquer ataques militares contra usinas de energia e infraestrutura energética iranianas por um período de cinco dias, sujeito ao sucesso das reuniões e discussões em andamento”, concluiu.
O Irã, por sua vez, negou qualquer negociação.
“As declarações do presidente dos EUA estão inseridas no contexto dos esforços para reduzir os preços da energia e ganhar tempo para implementar seus planos militares”, disse o Ministério das Relações Exteriores iraniano à emissora semioficial Mehr. “Há iniciativas de países da região para reduzir as tensões, e nossa resposta a todas elas é clara: não somos nós que iniciamos esta guerra, e todos esses pedidos devem ser encaminhados a Washington.”
Mais tarde, o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, acusou Trump de “fake news” sobre as tratativas. Ele reiterou que “nenhuma negociação” foi realizada com o governo americano e que “notícias falsas são usadas para manipular os mercados financeiros e de petróleo e escapar do atoleiro em que os EUA e Israel estão presos”.





