Trump desafia decisão da Suprema Corte e anuncia nova tarifa global de 10%
Republicano acusou tribunal de ser influenciada por 'interesses estrangeiros' ao considerar taxas ilegais
Por Caio Saad
SEGUIR
SEGUINDO
20 fev 2026, 15h47 •
Trump apresenta suas tarifas: ferramenta de intimidação (Brendan Smialowski/AFP)
Continua após publicidade
Compartilhe essa matéria:
Link copiado!
Poucas horas após a Suprema Corte dos Estados Unidos decidir que o aumento de tarifas promovido pelo governo é ilegal, o presidente americano, Donald Trump, desafiou a medida e anunciou nesta sexta-feira, 10, uma taxa global de 10%, que se somará às tarifas já em vigor.
“Hoje, assinarei um decreto para impor uma tarifa global de 10% sob a Seção 122, além das nossas tarifas normais já em vigor”, disse Trump. Ele também afirmou que todas as tarifas de segurança nacional sob a Seção 301 permanecem em vigor e que diversas investigações serão iniciadas.
Ao longo da fala, Trump também prometeu “alternativas” às tarifas. Mais cedo, fontes ouvidas pela agência de notícias Reuters já haviam citado que o governo já havia se preparado para este tipo de decisão, com planos alternativos para invocar prerrogativas previstas em leis vigentes.
Continua após a publicidade
Em entrevista coletiva na Casa Branca, o presidente acusou a Suprema Corte do país de ser influenciada por “interesses estrangeiros” na decisão publicada nesta sexta-feira.
“Países estrangeiros que nos exploram há anos estão em êxtase. Estão tão felizes que estão dançando nas ruas, mas posso garantir que a festa não durará muito”, disse Trump, afirmando, sem apresentar provas, que a Suprema Corte foi “influenciada por interesses estrangeiros e por um movimento político muito menor do que as pessoas imaginam”.
“A decisão da Suprema Corte sobre as tarifas é profundamente decepcionante. E eu tenho vergonha de certos membros da corte, absolutamente vergonha por não terem a coragem de fazer o que é certo para o nosso país”, disse o republicano.
A Suprema Corte, com sua maioria conservadora, decidiu por seis votos a três que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional “não autoriza o presidente a impor tarifas”. A resolução bloqueia uma ferramenta fundamental que o presidente vinha utilizando para impor sua agenda econômica e diplomática.
Durante os argumentos do caso, juízes conservadores e liberais pareceram questionar a legalidade das tarifas, que Trump impôs invocando uma lei de 1977 destinada a ser usada durante emergências nacionais. O julgamento parte de um recurso do Departamento de Justiça contra uma decisão de instância inferior, que havia concluído que o republicano extrapolou sua autoridade ao impor as taxas. Ações contra taxas foram apresentadas por empresas e por 12 estados americanos, a maioria deles governada por democratas.
O juíz-chefe John Roberts, que conduz a Suprema Corte americana, citou uma decisão anterior e escreveu que “o presidente deve ‘apontar para uma autorização clara do Congresso’ para justificar sua extraordinária alegação do poder de impor tarifas”.
Continua após a publicidade
Ele escreveu que, se o Congresso tivesse a intenção de conferir ao presidente “o poder distinto e extraordinário de impor tarifas, teria feito isso expressamente — como tem feito consistentemente em outras leis tarifárias”.
“O poder de ‘regular… a importação’ não preenche essa lacuna”, escreveu Roberts, citando o texto da lei que Trump alegou ter justificado suas amplas tarifas.
Trump invocou a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) para impor as chamadas tarifas “recíprocas” sobre bens importados de países específicos — praticamente todos os parceiros comerciais estrangeiros — para lidar com o que ele chamou de emergência nacional relacionada ao déficit comercial dos EUA. Ele invocou a mesma lei para impor tarifas à China, Canadá e México, alegando que o tráfico do analgésico fentanil, frequentemente usado de forma abusiva, e de drogas ilícitas para os Estados Unidos constituía uma emergência nacional.
15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.
OFERTA LIBERE O CONTEÚDO
Digital Completo
A notícia em tempo real na palma da sua mão! Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
De: R$ 16,90/mêsApenas R$ 1,99/mês
MELHOR OFERTA
Revista em Casa + Digital Completo
Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 7,50)
De: R$ 55,90/mês A partir de R$ 29,90/mês
*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).