Trump considera ‘seriamente’ perdoar P. Diddy, rapper condenado por prostituição, diz site
Artista foi inocentado de conspiração para extorsão e de duas queixas de tráfico sexual -- crimes que poderiam levar à prisão perpétua
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, considera “seriamente” conceder perdão presidencial ao rapper Sean Combs, mais conhecido como P. Diddy, condenado por duas acusações de transporte com fins de prostituição. A informação foi divulgada nesta quarta-feira, 30, pelo site de notícias americano Deadline. No julgamento, concluído no início do mês, o artista foi inocentado de conspiração para extorsão e de duas queixas de tráfico sexual por meio de força, fraude ou coerção — crimes que poderiam levar à prisão perpétua.
As duas acusações relacionadas à prostituição podem forçá-lo a permanecer por trás das grades por duas décadas, já que cada uma tem como pena máxima 10 anos. A sentença será emitida em 3 de outubro. No mês passado, Trump disse publicamente que poderia perdoar P. Diddy pelos crimes, afirmando: “Eu certamente analisaria os fatos se achasse que alguém foi maltratado, quer gostem de mim ou não”. Os dois já foram próximos, com Trump o chamando de “bom amigo” em 2022. Mas o rapper mudou de lado e apoiou Joe Biden em 2020.
Após alcançar a fama, Combs passou a participar de festas e de eventos de caridade em Manhattan nas décadas de 1990 e 2000, o que possibilitava que se encontrasse com o republicano de tempos em tempos. Na estreia da 12ª temporada do reality show de Trump, O Aprendiz, ele chamou o cantor de “um cara legal”. A visão parece não ter mudado, apesar da condenação. Em maio, o líder americano disse que “ninguém pediu” clemência ao vencedor do Grammy, mas que sabia que “as pessoas estão pensando sobre isso”.
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Outro escândalo sexual
O possível perdão aconteceria enquanto Trump se vê encurralado em outro escândalo sexual, referente ao caso Jeffrey Epstein, bilionário acusado de tráfico sexual de adolescentes que cometeu suicídio na prisão em 2019. O republicano, que prometeu divulgar os arquivos caso retornasse à Casa Branca, virou alvo de uma teoria da conspiração dentro da sua base política, a Make America Great Again (MAGA), de que está em uma lista secreta de pessoas que se beneficiavam do esquema de Epstein.
As suspeitas dos aliados contra Trump cresceram após um relatório do Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ, na sigla em inglês) com o FBI, divulgado na semana passada, constar que Epstein morreu, de fato, por suicídio. O documento concluiu que não há elementos suficientes para abrir novas investigações ou apresentar acusações contra outras pessoas envolvidas no caso.
Epstein conviveu com milionários de Wall Street, membros da realeza (notadamente, o príncipe Andrew) e celebridades antes de se declarar culpado de exploração sexual de menores em 2008. As acusações que o levaram à prisão em 2019 ocorreram mais de uma década após um acordo judicial que o protegia. Ele foi encontrado morto por enforcamento pouco mais de um mês após parar atrás das grades.
A teia conspiracionista foi promovida pelo magnata Elon Musk, antigo braço direito de Trump. Após deixar o Departamento de Eficiência Governamental (DOGE, na sigla em inglês), em maio, o bilionário passou de consigliere a inimigo do presidente dos EUA em um curto espaço de tempo. Além de criticar abertamente o plano de cortes de gastos e impostos de Trump, o dono da Tesla acusou o republicano de boicotar a liberação dos arquivos Epstein por ter sido citado neles.
“Hora de jogar a bomba realmente grande: Donald Trump está nos arquivos de Epstein. Essa é a verdadeira razão pela qual eles não se tornaram públicos. Tenha um ótimo dia, DJT (Donald John Trump)!”, escreveu Musk no X, antigo Twitter, rede social da qual é dono, antes de apagar a publicação dias mais tarde.
Musk não parou por aí e compartilhou um vídeo com a legenda: “Em 1992, Trump festejou com Jeffrey Epstein. Só vou deixar isso aqui”. Ele também afirmou que “a verdade virá à tona”. O magnata não apresentou provas, mas a relação entre Trump e Epstein é antiga. Em 2002, Trump disse à revista New York que Epstein era “fantástico” e “muito divertido de se estar por perto”. Ele também contou que a dupla se conhecia há 15 anos. Os dois faziam parte de círculos sociais de elite de Nova York e da Flórida.





