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Trump ameaça enviar porta-aviões e tomar medida ‘muito dura’ contra o Irã

Teerã e Washington se reuniram na última sexta-feira para discutir possível acordo de não-proliferação de armas nucleares

Por Sara Salbert Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 10 fev 2026, 16h45 • Atualizado em 10 fev 2026, 18h35
  • O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou nesta terça-feira, 10, enviar mais um porta-aviões ao Oriente Médio e adotar uma medida “muito dura” contra o Irã caso as negociações entre Teerã e Washington em Omã sobre possível acordo de não proliferação de armas nucleares fracassem. 

    Em entrevista ao portal Axios, Trump se disse otimista com as negociações e afirmou acreditar em uma saída diplomática, mas não descartou uma ação militar.

    “Da última vez, eles não acreditaram que eu faria isso”, disse o republicano, se referindo aos ataques americanos contra instalações nucleares do Irã em junho do ano passado. “Ou chegaremos a um acordo ou teremos que fazer algo muito duro como da última vez”, acrescentou.

    O presidente norte-americano também afirmou que o Irã “deseja muito fechar um acordo”, diferente do observado nas reuniões feitas no primeiro semestre de 2025 entre os países. 

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    Negociações em Omã

    EUA e Irã se reuniram na última sexta-feira 6 em Omã para negociar um possível acordo nuclear. A reunião marcou o primeiro encontro diplomático entre Washington e Teerã desde que os americanos se aliaram a Israel contra a nação persa durante uma guerra aérea de 12 dias em junho passado.

    Teerã insiste que as negociações foquem exclusivamente na questão nuclear, enquanto Washington busca abordar uma estrutura bélica maior, que inclui mísseis balísticos e grupos armados regionais. Além disso, a Casa Branca manifesta preocupação com um possível desrespeito aos direitos humanos no país.

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    Apesar das diferenças, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que as negociações foram um “bom começo” e devem continuar. A mídia iraniana disse que a cúpula terminou com uma “vontade de continuar”, sem especificar uma data para o próximo encontro.

    Na segunda-feira, o chefe da agência de energia atômica iraniana, Mohammad Eslami, afirmou que o país está disposto a “diluir” seu estoque de urânio altamente enriquecido caso os Estados Unidos suspendam todas as sanções contra o país.

    Ameaças de Washington

    Nas últimas semanas, Trump despachou uma “enorme armada” ao Oriente Médio, liderada pelo porta-aviões USS Abraham Lincoln, e alertou que “coisas ruins” aconteceriam caso um acordo não fosse alcançado.

    Na última terça-feira 3, as tensões na região aumentaram depois que o porta-aviões abateu um drone que teria se aproximado de forma “agressiva” da embarcação, além de o Comando Central das Forças Armadas americanas ter acusado navios da Guarda Revolucionária Islâmica de “importunarem” um petroleiro de bandeira dos Estados Unidos no Estreito de Ormuz.

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    Escalada das tensões

    A crise entre Estados Unidos e Irã, nutrida ao longo do ano passado com a guerra aérea que envolveu ataques americanos contra instalações nucleares da nação persa, aumentou de tom diante da repressão promovida pelo governo iraniano contra protestos que tomaram o país desde o início do ano. As manifestações, motivadas inicialmente pelo derretimento da moeda local, o rial, e a crise inflacionária subsequente, cresceram e passaram a pedir o “fim da ditadura” e a deposição do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei. No auge dos atos, Trump ameaçou intervir militarmente em prol dos manifestantes e chegou a dizer que a ajuda estava “a caminho”.

    No entanto, as tensões enfraqueceram após as autoridades iranianas desistirem das execuções de manifestantes presos que estariam sendo planejadas. Na semana passada, o presidente americano disse que navios de guerra americanos estavam sendo enviados “por precaução” e que acompanhava de perto a situação no país. “Vamos ver o que acontece”, afirmou à época.

    A liderança do Irã está cada vez mais preocupada com a possibilidade de um ataque dos Estados Unidos quebrar seu controle do poder, levando uma população já enfurecida de volta às ruas, de acordo com autoridades iranianas ouvidas pela agência de notícias Reuters. Em Omã, a prioridade deve ser evitar conflitos e reduzir a tensão.

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