Trump aumenta pressão para reabrir Estreito de Ormuz e detona aliados
Presidente dos EUA quer formar coalizão internacional para proteger rota marítima, mas nações rejeitam envio de navios de guerra ao Oriente Médio
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou alguns países nesta segunda-feira, 16, pela resposta morna ao seu apelo pela criação de uma coalizão internacional para reabrir e proteger o tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz, que está efetivamente bloqueado pelo Irã desde o início do conflito no Oriente Médio. A medida provocou impactos nos mercados globais devido à queda de fornecimento de petróleo, que fez o preço do barril disparar.
“Nós os protegemos há 40 anos, e eles não querem se envolver”, declarou o americano durante conversa com jornalistas. “Encorajamos fortemente outras nações a se juntarem a nós, e a fazê-lo rapidamente e com grande entusiasmo. Obtemos menos de 1% do nosso petróleo pelo Estreito. China, países europeus e Coreia do Sul: alguns países obtêm muito mais”, acrescentou.
Trump também aumentou a pressão sobre o Reino Unido e a França, dizendo que ambos países estarão envolvidos na missão que propôs para reabrir Ormuz, embora tenha criticado a resposta do francês Emmanuel Macron ao seu pedido. “Foi nota 8, não perfeita”, afirmou, revelando que conversou sobre o assunto com o chefe do Palácio do Eliseu. Segundo o presidente, seu secretário de Estado, Marco Rubio, vai anunciar países que formarão uma coalizão para manter o local aberto à navegação.
Além disso, ele voltou a dizer que as Forças Armadas americanas “destruíram” a capacidade militar do Irã e declarou que mais de 7 mil alvos em todo país foram atingidos, enfatizando que os Estados Unidos seguem atacando a República Islâmica “com força máxima”.
No domingo 15, o ocupante do Salão Oval disse ter solicitado a cerca de sete países, como China, França, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido, o envio de navios de guerra para “garantir a segurança” e abrir a vital rota marítima, por onde passam 20% do petróleo e gás consumidos mundialmente, cujo fechamento fez disparar os preços do petróleo pelo globo.
Ele alegou que já obteve “respostas positivas”, embora tenha admitido que alguns dos países contatados “preferem não se envolver”. O presidente americano alertou que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), aliança militar ocidental liderada pelos Estados Unidos, enfrentaria “um futuro muito ruim” se os países membros não prestarem auxílio.
“É apropriado que as pessoas que se beneficiam do estreito ajudem a garantir que nada de ruim aconteça lá”, disse ele em entrevista ao jornal britânico Financial Times, acrescentando que “se não houver resposta ou se for uma resposta negativa, acho que será muito ruim para o futuro da Otan”.
Resistência
Por ora, seus apelos não deram resultados concretos.
Nesta segunda-feira, 16, o porta-voz do governo alemão, Stefan Kornelius, anunciou que a guerra no Oriente Médio, iniciada em 28 de fevereiro pelos ataques dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, “não tem nada a ver com a Otan”. Já o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, afirmou que elabora um plano “viável” com seus aliados para reabrir o Estreito de Ormuz , mas garantiu que isso não envolverá a aliança militar ocidental.
“Estamos trabalhando com todos os nossos aliados, incluindo nossos parceiros europeus, para elaborar um plano coletivo viável que possa restaurar a liberdade de navegação na região o mais rápido possível e amenizar os impactos econômicos”, disse Starmer a jornalistas nesta segunda. “Deixe-me ser claro, isso não será e nunca foi cogitado como uma missão da Otan”, acrescentou.
O líder britânico enfatizou que, embora seu país esteja “tomando as medidas necessárias para se defender e defender seus aliados, não se deixará arrastar para uma guerra mais ampla”.
Austrália e Japão afirmaram que não planejam enviar navios e o governo da China, quando questionado sobre o assunto pela emissora americana CNN, pediu apenas o fim imediato das hostilidades.
Passagem negociada
Enquanto isso, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que Teerã está aberta a negociações com países que desejam acessar a passagem com segurança. Em coletiva de imprensa em Teerã, o chanceler declarou que o Estreito de Ormuz está fechado apenas para embarcações dos Estados Unidos, de Israel e seus aliados.
“Do nosso ponto de vista, está aberto”, afirmou. “Está fechado apenas para nossos inimigos, para aqueles que cometeram agressões injustas contra o nosso país e para seus aliados.”
Um petroleiro não iraniano transitou pelo Estreito de Ormuz nesta segunda, de acordo com o serviço de monitoramento marítimo Marine Traffic. “O petroleiro Aframax Karachi, transportando petróleo bruto Das de Abu Dhabi, tornou-se a primeira carga não iraniana a transitar pelo ponto de estrangulamento enquanto transmitia seu sinal AIS, sugerindo que algumas cargas podem estar recebendo passagem segura negociada”, afirmou o serviço.
O navio Karachi, de bandeira paquistanesa, fez a perigosa travessia no domingo, de acordo com dados de navegação analisados pela agência de notícias Bloomberg. Em uma publicação nas redes sociais nesta manhã, Abbas Araghchi agradeceu ao governo e ao povo do Paquistão pela solidariedade e apoio ao Irã diante dos contínuos ataques dos Estados Unidos e de Israel.
Enquanto isso, bombardeios continuam a abalar o Oriente Médio e o preço do petróleo segue em ascendente, tendo atingido na manhã desta segunda o patamar mais alto desde outubro de 2022. Apesar da Agência Internacional de Energia (AIE), ligada ao clube dos países ricos OCDE, ter liberado 400 milhões de barris de suas reservas emergenciais, um relatório da agência estima que o fornecimento diário do combustível deve cair em 10 milhões, gerando o que qualificou como “a maior perturbação” no setor em toda a história.
De acordo com a agência marítima britânica UKMTO, o Estreito de Ormuz permanece sob ameaça “crítica”, embora nenhum incidente tenha sido relatado nos últimos três dias. Pelo menos 20 embarcações foram atacadas no Golfo Pérsico, no Estreito de Ormuz e no Golfo de Omã desde o início da guerra, informou a agência.





