Trump admitiu a conselheiros que deportação em massa foi ‘longe demais’, diz jornal
'WSJ' apurou que presidente dos EUA recalcula políticas contra imigração por perceber insatisfação de eleitores, até republicanos, antes das midterms
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse a pessoas próximas que algumas políticas de imigração foram “longe demais” e que a abordagem do governo precisa ser mudada, segundo informações reveladas pelo jornal americano The Wall Street Journal na quinta-feira 19. De acordo com a reportagem, o republicano percebeu que algumas de suas ações não foram recebidas de forma positiva pelos eleitores, inclusive os seus. Ele também reconheceu que o conceito de “deportação em massa”, amplamente difundido em seus discursos, não agradou o público.
O jornal apurou que o presidente pensa em focar em prender criminosos e evitar grandes operações, que geralmente causam caos em capitais americanas. A orientação, de acordo com o WSJ, foi proposta pela chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, conhecida como uma das únicas figuras no segundo mandato de Trump capaz de mantê-lo em linha.
Na concepção dela, o tema, um dos principais deste governo, se tornou um problema para as midterms, eleições plantadas no meio do mandato presidencial, que em novembro colocarão o controle do Congresso em disputa. Atualmente o Partido Republicano controla ambas as casas legislativas.
A mudança é liderada por Tom Homan, o “czar da fronteira”, que supervisiona a política de imigração no país. Para ele, a prioridade deve ser a prisão de imigrantes com antecedentes criminais – coisa que já fez parte do discurso da Casa Branca, embora operações do ICE, a temida polícia da imigração, tenham se ampliado para incluir qualquer pessoa que se pareça com um estrangeiro, inclusive gente com documentação em dia.
A vontade do presidente de recalcular a rota veio depois de episódios violentos recentes, que causaram a morte de dois cidadãos americanos durante operações do ICE em Minneapolis, no estado de Minnesota.
Segundo o WSJ, o governo suspendeu temporariamente grandes operações da polícia migratória em cidades governadas por políticos democratas, como a própria Minneapolis, além de Washington e Chicago. Os locais ganharam destaque na mídia recentemente por serem os principais alvos de Trump na política de “deportação em massa”, justamente por serem comandados por seus oponentes políticos, segundo analistas.
Desde que o republicano adotou essas medidas, o número de imigrantes presos por dia caiu de 1.500 para 1.200, de acordo com o jornal americano. No entanto, membros do governo insistem que a estratégia não mudou em nada. “A maior prioridade sempre foi deportar imigrantes ilegais criminosos”, afirmou a secretária de imprensa adjunta da Casa Branca, Abigail Jackson, ao WSJ.





