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Trump admite possível ataque militar ao Irã nos próximos dias

Presidente dos EUA reconhece que avalia ofensiva limitada contra Teerã; Pentágono reforça presença militar na região e tensão impacta petróleo

Por Ernesto Neves 20 fev 2026, 13h44 • Atualizado em 20 fev 2026, 14h01
  • O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reconheceu nesta sexta-feira, 20, que avalia autorizar um ataque militar limitado contra o Irã como forma de pressionar Teerã a aceitar um acordo sobre seu programa nuclear.

    “Acho que posso dizer que estou considerando isso”, afirmou Trump no início de uma reunião com governadores na Casa Branca.

    A declaração confirma que o governo americano discute diferentes cenários de ação militar nos próximos dias, em meio a negociações tensas com o regime iraniano.

    Escalada pode ser mais ampla

    Segundo autoridades americanas, Trump ainda não tomou decisão final. As opções variam de um ataque restrito a instalações estratégicas até uma campanha mais ampla liderada diretamente pelos EUA.

    No ano passado, Washington participou de uma ofensiva iniciada por Israel contra alvos nucleares iranianos. O conflito durou 12 dias e terminou com cessar-fogo. Não houve baixas americanas.

    Agora, porém, o cenário pode ser mais arriscado. O Pentágono promove o maior reforço militar no Oriente Médio em duas décadas. Dois porta-aviões operam na região, acompanhados por destróieres, caças, bombardeiros, drones e sistemas de defesa aérea.

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    Autoridades admitem que, caso os EUA liderem a ofensiva, o risco para tropas americanas será maior do que no episódio anterior.

    Ameaças de retaliação

    O governo iraniano elevou o tom. Em carta enviada à ONU, a missão do Irã afirmou que, em caso de ataque, “todas as bases e ativos da força hostil na região seriam alvos legítimos”.

    Entre 30 mil e 40 mil soldados americanos estão distribuídos em 13 bases no Oriente Médio, incluindo instalações no Catar, Bahrein, Iraque, Síria, Kuwait, Arábia Saudita, Jordânia e Emirados Árabes Unidos.

    No conflito do ano passado, o Irã lançou mísseis contra a base aérea de Al Udeid, no Catar, mas avisou previamente autoridades americanas e catarianas, o que reduziu danos.

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    Especialistas avaliam que, desta vez, a resposta pode ser mais dura. O cientista político Vali Nasr, da Universidade Johns Hopkins, afirma que Teerã pode concluir que respostas moderadas anteriores apenas incentivaram novas ameaças de Washington.

    Petróleo reage

    A tensão já afeta os mercados. O preço do petróleo nos Estados Unidos subiu cerca de 5% na última semana, alcançando aproximadamente US$ 66 por barril, diante do temor de que um conflito interrompa o fluxo de petróleo pelo Golfo Pérsico — rota estratégica para o comércio global de energia.

    Analistas alertam que uma guerra prolongada poderia pressionar ainda mais os preços e afetar a economia mundial.

    Mudança de objetivo?

    Não está claro qual seria o objetivo final de Trump. A ofensiva se limitaria a instalações nucleares? Incluiria o arsenal de mísseis balísticos iranianos? Ou poderia avançar para uma estratégia de mudança de regime?

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    A hipótese de derrubar o governo iraniano é considerada por especialistas como um cenário de alto risco, com potencial de desestabilizar toda a região e provocar elevado número de vítimas civis.

    Ao mesmo tempo, autoridades da Casa Branca afirmam publicamente que ainda buscam solução diplomática. Nos bastidores, porém, admitem que é difícil vislumbrar concessões iranianas capazes de afastar a opção militar.

    Trump, que já ordenou diversas ações militares desde o início do mandato, demonstra confiança crescente. Em janeiro, afirmou em rede social que “o próximo ataque será muito pior”.

    O Irã respondeu no mesmo tom: “Se provocado, se defenderá como nunca antes”.

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