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‘The Economist’ diz que ‘Trump está tentando silenciar seus críticos’, mas ‘falhará’

Revista britânica alertou que 'uma imprensa covarde leva inexoravelmente à corrupção desenfreada, a um governo precário e a eleitores cínicos e descontentes'

Por Paula Freitas Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 26 set 2025, 12h50 • Atualizado em 26 set 2025, 12h54
  • A revista britânica The Economist afirmou nesta sexta-feira, 26, que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tenta “silenciar os seus críticos”, mas “falhará”. A matéria alertou que “uma imprensa covarde leva inexoravelmente à corrupção desenfreada, a um governo precário e a eleitores cínicos e descontentes” e, no contexto de um país em que a vitória eleitoral é resultado de pequenas diferenças, uma “mídia parcialmente intimidada ou capturada pode desequilibrar a balança”.

    “Donald Trump odeia ser alvo de piadas; então, seu capanga aproveitou um pretexto esfarrapado para tirar Jimmy Kimmel da TV de fim de noite. O presidente está farto de ser criticado quando deveria ser homenageado; então, seus advogados processaram o New York Times por US$ 15 bilhões. Ele vê tudo como uma briga; então, sua equipe quer que aliados ricos comprem o controle do braço americano do TikTok de sua matriz chinesa”, disse o texto.

    “Essas escaramuças alarmantes são parte de uma guerra contra a mídia americana. No entanto, o Sr. Trump dificilmente teve um sucesso retumbante. O Sr. Kimmel está de volta ao ar; um juiz federal riu do processo fora do tribunal; e quem sabe quão obedientes esses magnatas multibilionários serão”, acrescentou.

    O programa Jimmy Kimmel Live! foi tirado do ar por alguns dias após comentários do apresentador sobre a morte do ativista conservador Charlie Kirk, assassinado por um atirador, identificado como Tyler Robinson, enquanto participava de um evento numa universidade em Utah. A suspensão do comediante, que voltou ao trabalho após uma onda de crítica ao seu afastamento nas redes sociais e boicotes, poucos meses após a demissão de Stephen Colbert, crítico de Trump, que comandava um talk-show na emissora CBS.

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    ‘Efeito dissuasor’

    A Economist, contudo, frisou que “desejar algo não é o mesmo que obtê-lo” e que “dominar a mídia americana, extensa e indisciplinada, e os cidadãos opinativos será difícil”. A reportagem definiu como “óbvio” o desejo de Trump de controlar a oposição. Há muito que a imprensa é acusada pelo republicano e por sua base política de ter um viés de esquerda, mas a revista apontou que a movimentação do líder americano para domar a mídia é motivada pelo seu desejo por “adulação”. Seguidores leais de Trump se esforçam para atendê-lo.

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    “Eles têm algumas armas formidáveis. Uma delas é a especialidade de Trump: intimidação e ameaças. O Wall Street Journal também foi processado por uma reportagem sobre o Sr. Trump e um criminoso sexual morto, Jeffrey Epstein. O mesmo aconteceu com o Des Moines Register , por uma pesquisa pouco antes da eleição de 2024, na qual o Sr. Trump perdeu a votação em Iowa”, afirmou o veículo.

    “O Pentágono está restringindo a liberdade dos correspondentes de reportar, sob pena de perder suas credenciais. A Disney foi atacada por Brendan Carr, o chefe da Comissão Federal de Comunicações (FCC). Gostando do que viu, o Sr. Trump então sugeriu que as redes de televisão que o criticam deveriam perder suas licenças”, continuou.

    Embora “frágeis em termos jurídicos”, a Economist alertou que as medidas “podem ter efeito dissuasor”. Além disso, indicou que Trump usa a rede social Truth Social, da qual é dono, como “arma” para uma cobertura mais vantajosa do seu governo. Ao mesmo tempo, aproximou-se de Elon Musk, dono do X, apesar das relações terem deteriorado com sua saída da Casa Branca, e fechou um acordo com a China para passar o controle do TikTok no país a investidores americanos, todos aliados. A “compra da Paramount e, potencialmente, da Warner Bros Discovery por David Ellison também lhe daria o controle da CBS e da CNN”, acrescentou a matéria.

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    “E uma última arma é o uso de pontos de pressão. Duas emissoras, ABC e CBS , chegaram a um acordo judicial multimilionário com Trump, pois temiam uma retaliação dos reguladores que poderia custar-lhes bilhões de dólares. Imagine que a Alphabet e a Meta fossem induzidas por uma promessa ou ameaça aos seus negócios de inteligência artificial a garantir que o YouTube e o Instagram se inclinassem para o MAGA . Com o destino da empresa em jogo, seu dever para com os acionistas não seria se alinhar?”, questionou.

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    Trump não é ‘tão forte’

    A revista classificou o cenário como “preocupante”, mas destacou que “Trump não é tão forte quanto aparenta”. O texto indicou que os jornais são uma “indústria em declínio” como principal fonte de informação dos americanos e que a guerra, na realidade, está nos serviços de streaming, acrescentando: “Para os jornais, notícias e opinião são seu principal negócio. Se resistirem, vencerão no tribunal, e cada vez que o Sr. Trump abrir um processo por difamação incômoda, ele será ainda mais exposto como um valentão vaidoso.”

    “A liberdade de expressão nos Estados Unidos é protegida por uma garantia constitucional, um vasto mercado de mídia e os apetites da metade do país que não vota em Trump. Uma mídia capturada, se possível, seria uma enorme oportunidade de negócio para o outro lado”, advertiu a Economist. “(…) Como tantas vezes acontece com o Sr. Trump, seu grande trunfo é a velocidade. Os tribunais seguem procedimentos; as empresas precisam descobrir como reagir; novos empreendimentos precisam de tempo para decolar.”

    “É improvável que o MAGA domine a mídia americana. No entanto, mesmo que Trump não vença sua batalha, os Estados Unidos ainda podem perder. Em uma economia de atenção fragmentada, a melhor maneira de se destacar é chamar tudo de apocalipse, incitar a revolução ou denunciar o fascismo”, disse, mas fez um alerta mais amplo: “Os Estados Unidos sobreviveram a uma imprensa partidária no século XIX; provavelmente sobreviverão no século XXI. Mas a vaudevilização da esfera pública é um fardo pesado para uma democracia sobrecarregada.”

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