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‘Tem gente que precisa de um inimigo para fazer política’, diz Lula sobre tensão Trump-Maduro

Presidente volta a se colocar à disposição para mediar tensão, lembra de Chávez e Bush e pede que ambos lados 'coloquem à mesa' o que querem

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 18 dez 2025, 13h58 • Atualizado em 18 dez 2025, 14h16
  • O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a colocar o Brasil à disposição para mediar as tensões entre Estados Unidos e Venezuela durante conversa com jornalistas no Palácio do Planalto, em Brasília, nesta quinta-feira, 18, lembrando que fez o meio-campo nas negociações entre os então líderes dos países, o venezuelano Hugo Chávez e o americano George W. Bush, na década de 2000.

    O petista alfinetou (não se sabe se Trump, Maduro, ou ambos), ao sugerir que a tensão seria fabricada: “Tem gente que precisa de um inimigo para fazer política. Aqui no Brasil já teve muita gente assim. Já eu faço política procurando soluções aos problemas. Por isso acredito muito na palavra, no poder de persuasão, no poder de convencimento. Se os problemas que estão em litígio são os que aparecem na imprensa, não há por que utilizar a arma. Não há porquê.”

    Lula lembrou que fez o meio de campo “por oito anos” durante as tensões entre Washington e Caracas na década de 2000 e traçou paralelos com a situação atual. “Aquela briga não era verdadeira. Se fosse, os Estados Unidos interromperiam a importação de petróleo venezuelano, ou Chávez trancaria a exportação. Mas nenhum dos dois faz nada, ou seja, então é uma briga para enganar quem?”, questionou. “E é a mesma coisa com o presidente Trump e o Maduro. É importante resolver essas pendengas todas numa mesa de negociação. É só ter vontade.”

    O petista afirmou que a diplomacia é o melhor caminho para resolver a questão, mas ressaltou que, para isso, tanto Donald Trump como Nicolás Maduro precisam deixar claros quais são seus objetivos.

    “Não pode ser apenas a questão de derrubar o Maduro. Quais são os interesses outros que a gente ainda não sabe?”, questionou Lula, quando perguntado sobre o impasse entre Caracas e Washington. “Nunca ninguém disse concretamente por que é preciso fazer essa guerra. Não sei se o interesse é só o petróleo da Venezuela, não sei se o interesse é os minerais críticos, não sei se o interesse são as terras raras. O dado concreto é que ninguém coloca na mesa o que quer.”

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    O mandatário brasileiro lembrou que manteve conversas por telefone tanto com Maduro (na semana passada) quanto com Trump (em seguida), e afirmou que disse a ambos que o Brasil pode atuar como mediador. Ele ressaltou que pode “ter que” ligar para o ocupante da Casa Branca novamente, antes do Natal, para discutir o assunto.

    “Falei ao presidente Maduro que se ele quisesse que o Brasil ajudasse alguma coisa, ele tinha que dizer o que ele gostaria que a gente fizesse. E disse a Trump, se você achar que o Brasil pode contribuir, nós teremos todo interesse de conversar com a Venezuela, de conversar com vocês, conversar com outros países, para que a gente evite um confronto armado aqui na América Latina”, disse ele. “O Brasil tem muito apreço por isso, porque nós temos muitos quilômetros de fronteira com a Venezuela e temos muita responsabilidade aqui na América do Sul. Nós não queremos uma guerra aqui no nosso continente.”

    Tensão no Caribe

    A tensão entre Estados Unidos e Venezuela escalou nesta semana, após Trump decretar na terça-feira o bloqueio total aos petroleiros venezuelanos, dizendo que o país caribenho estava cercado e designando o regime chavista como “organização terrorista estrangeira”. Em resposta, Maduro ordenou que a Marinha passasse a escoltar navios petroleiros fora do porto, segundo o jornal americano The New York Times.

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    No final de outubro, Trump revelou que havia autorizado a CIA a conduzir operações secretas dentro da Venezuela, aumentando as especulações em Caracas de que Washington quer derrubar o ditador Nicolás Maduro. Segundo a imprensa americana, o Pentágono apresentou ao presidente diferentes opções, incluindo ataques a instalações militares venezuelanas — como pistas de pouso — sob a justificativa de vínculos entre setores das Forças Armadas e o narcotráfico.

    Os EUA acusam Maduro de liderar o Cartel dos Sóis — designado como organização terrorista estrangeira em novembro — e oferecem uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levem à captura do chefe do regime chavista. O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, também foi acusado por Trump de ser “líder do tráfico de drogas” e “bandido”.

    Em paralelo, intensificam-se os ataques a barcos de Organizações Terroristas Designadas, como define o governo americano, no Caribe e no Pacífico. Ao menos 95 tripulantes foram mortos. Os incidentes geraram alarme entre alguns juristas e legisladores democratas, que denunciaram os casos como violações do direito internacional. Trump argumenta que os EUA estão envolvidos em uma guerra com grupos narcoterroristas da Venezuela, o que tornaria os ataques legítimos.

    O planejamento militar ocorre em meio à crescente mobilização militar americana na América Latina e ao aumento das expectativas de uma possível ampliação das operações na região. O maior porta-aviões do mundo, destróieres com mísseis guiados, caças F-35, um submarino nuclear e cerca de 6.500 soldados foram despachados para o Caribe, enquanto Trump intensifica o jogo de quem pisca primeiro com o governo venezuelano.

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