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Trump rejeita adiar início do tarifaço: ‘O 1º de agosto é para todos’

Diversas nações terão seus produtos taxados a partir do início do mês, incluindo o Brasil, que recebeu a alíquota máxima de 50%

Por Redação 27 jul 2025, 12h19 • Atualizado em 27 jul 2025, 15h43
  • O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou neste domingo, 27, adiar o início da aplicação das novas tarifas sobre produtos importados de outras nações. O anúncio frustra a expectativa do governo brasileiro, que tentava conseguir ao menos um prazo maior para negociar a taxação de 50%.

    “O 1º de agosto é para todos. Todos os acordos começam em 1º de agosto”, enfatizou o republicano. A declaração foi dada durante o anúncio de um pré-acordo comercial com a União Europeia.

    Mais cedo, o secretário de Comércio da Casa Branca, Howard Lutnick, já havia declarado à TV americana que não haveria prorrogações. “Sem mais períodos de carência: em 1º de agosto, as tarifas serão definidas. Elas entrarão em vigor. A Alfândega começará a arrecadar o dinheiro”, disse Lutnick à emissora americana Fox News.

    A declaração sobre o “tarifaço” de Trump foi compartilhada pelo perfil da Casa Branca nas redes sociais, diminuindo a esperança de países como Brasil e Canadá de um adiamento na imposição das tarifas definidas. Apesar de enfático em relação ao prazo, Lutnick indicou que Trump estaria disposto a negociar depois da implementação das taxas. “As pessoas ainda poderão falar com o presidente Trump. Ele está sempre disposto a ouvir. Se elas poderão fazê-lo feliz ou não é outra questão… Mas ele está sempre disposto a negociar”, atestou ele.

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    Em abril, o presidente americano divulgou uma lista com países cujas mercadorias seriam submetidas a tarifas exorbitantes ao aportar em solo americano. A medida teve como justificativa “corrigir o déficit comercial” com parceiros, mas vai afetar até as relações superavitárias para os EUA. As tarifas impostas variam de uma porcentagem mínima de 15% até o máximo de 50%. A União Europeia, por exemplo, chegou a um acordo que reduziu a tarifa de 30% para 15%, enquanto o Canadá terá que arcar com 35%. 

    No caso do Brasil, Trump aplicou a alíquota máxima de 50%. O presidente americano publicou no início do mês uma carta endereçada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em que anunciava a tarifa a partir do dia 1º de agosto, afirmando que o julgamento de Bolsonaro não deveria estar acontecendo e que o Brasil ataca “eleições livres” e viola a “liberdade de expressão”. Em semanas seguintes, Trump voltou a reforçar críticas à Justiça brasileira e um suposto “regime de censura” — — todas foram prontamente criticadas por Lula, que reforçou que “a defesa da democracia no Brasil é um tema que compete aos brasileiros” e que “ninguém está acima da lei”.

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    Posteriormente, Trump mandou abrir uma investigação comercial contra o Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. A apuração vai determinar se atos, políticas e práticas do governo brasileiro são de alguma forma injustas ou discriminatórias e prejudicam ou restringem o comércio americano.

    Bolsonaro está inelegível por 8 anos, por duas condenações no Tribunal Superior Eleitoral, por abuso de poder e uso indevido de meios de comunicação, ao atacar as urnas eletrônicas durante a eleição de 2022 sem provas concretas. Em paralelo, em março, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal tornou por unanimidade o ex-presidente e mais sete aliados réus por tentativa de golpe em 2022, aceitando denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República. Ele também responde pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado pela violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado.

    Críticas da oposição

    Senadores democratas enviaram uma carta a Trump expressando “sérias preocupações em torno das ameaças de começar uma guerra comercial com o Brasil”. O documento, assinado por 11 parlamentares da oposição na quinta-feira 24, destaca um superávit comercial de bens de US$ 7,4 bilhões com o Brasil em 2024.

    + Senadores democratas dos EUA acusam Trump de ‘abuso de poder’ por tarifas sobre Brasil 

    “Os Estados Unidos e o Brasil têm questões comerciais legítimas que devem ser discutidas e negociadas. No entanto, a ameaça tarifária do seu governo claramente não é direcionada a isso”, diz o documento. “Em vez disso – como você afirma explicitamente em sua carta ao presidente brasileiro Lula da Silva – a ameaça de impor tarifas de 50% sobre todas as importações do Brasil e a ordem do Representante Comercial dos EUA para iniciar uma investigação nos termos da Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 visam principalmente forçar o sistema judiciário independente do Brasil a suspender o processo contra o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro”.

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    Os senadores da oposição afirmam ainda que “interferir no sistema jurídico de outra nação soberana cria um precedente perigoso, provoca uma guerra comercial desnecessária e coloca cidadãos e empresas americanas em risco de retaliação”. “Usar todo o peso da economia americana para interferir nesses procedimentos em nome de um amigo é um grave abuso de poder, mina a influência dos Estados Unidos no Brasil e pode prejudicar nossos interesses mais amplos na região”.

    O documento é assinado por Tim Kaine, Jeanne Shaheen, Adam B. Schiff, Richard J. Durbin, Peter Welch, Kirsten Gillibrand, Mark R. Warner, Catherine Cortez Masto,  Michael F. Bennet,  Jacky Rosen e Raphael Warnock.

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