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Tailândia e Camboja retomam negociações após cessar-fogo fracassar na fronteira

Confrontos já deixaram ao menos 41 mortos e quase 1 milhão de deslocados

Por Júlia Sofia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 22 dez 2025, 12h46 • Atualizado em 22 dez 2025, 15h29
  • Autoridades da Tailândia e do Camboja devem se reunir na próxima semana para tentar restabelecer um cessar-fogo e conter os confrontos armados na fronteira entre os dois países, que já entram na terceira semana e configuram a crise mais grave no Sudeste Asiático em décadas. Segundo as autoridades tailandesas afirmaram nesta segunda-feira, 22, o acordo firmado em julho, com mediação dos Estados Unidos, foi fechado de forma precipitada e não refletiu a situação real no terreno, o que levou ao rápido colapso da trégua.

    A expectativa de retomada do diálogo surge após o fracasso do cessar-fogo anunciado no início de julho, mediado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O acordo, no entanto, durou poucos dias. Desde então, Tailândia e Camboja trocam acusações sobre a responsabilidade pela retomada das hostilidades, que incluem disparos de artilharia pesada e ataques aéreos.

    O chanceler tailandês, Sihasak Phuangketkeow, afirmou que o entendimento foi firmado sob pressão externa e sem bases sólidas. Segundo ele, Washington teria imposto um cronograma político para que o acordo fosse anunciado durante a visita de Trump à região. “Às vezes fomos apressados porque os Estados Unidos queriam o acordo assinado a tempo da visita do presidente”, declarou.

    Antes de qualquer novo avanço diplomático, uma reunião entre comandantes militares dos dois países está marcada para o próximo dia 24 de dezembro. De acordo com Phuangketkeow, esse encontro será decisivo para avaliar a possibilidade de uma nova trégua. O governo do Camboja ainda não comentou oficialmente as críticas feitas por Bangkok.

    Desde o início da escalada, ao menos 41 pessoas morreram e cerca de 900 mil civis foram forçados a deixar suas casas nas áreas próximas à fronteira, segundo autoridades locais. O conflito dominou a agenda da mais recente reunião da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), realizada na Malásia.

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    O chanceler malaio, Mohamad Hasan, alertou para os impactos regionais da crise. “Precisamos considerar as implicações mais amplas dessa situação para as populações que servimos”, afirmou. Trata-se do confronto mais grave entre países-membros da Asean desde a criação do bloco, em 1967, expondo as limitações da organização para mediar disputas internas.

    Além dos Estados Unidos, a China também tenta assumir um papel de mediadora. O enviado especial de Pequim para assuntos asiáticos, Deng Xijun, visitou recentemente Phnom Penh, e o governo chinês afirma manter esforços diplomáticos para facilitar o diálogo entre as partes.

    A disputa territorial entre Tailândia e Camboja remonta a mais de um século e já provocou confrontos esporádicos ao longo das décadas. As tensões se intensificaram em maio, após a morte de um soldado cambojano, e explodiram em julho, quando um ataque com foguetes contra território tailandês levou a uma resposta aérea de Bangkok, desencadeando dias de combates intensos.

     

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