Suspeitos de ataque em praia na Austrália se inspiraram no Estado Islâmico, diz polícia local
Trata-se do pior massacre a tiros em 30 anos no país, o que levou o governo federal a reexaminar as leis de armas australianas
Os dois suspeitos pelo ataque que deixou 15 mortos na praia de Bondi, na Austrália, tiraram inspiração do Estado Islâmico (EI) e viajaram para as Filipinas pouco antes do atentado. Pai e filho, identificados como Sajid Akram e Naveed Akram, respectivamente, foram baleados pela polícia. O primeiro foi morto, ao passo que o segundo está em estado grave em um hospital. Trata-se do pior massacre a tiros em 30 anos no país, o que levou o governo federal a reexaminar as leis de armas australianas.
“Os primeiros indícios apontam para um ataque terrorista inspirado pelo Estado Islâmico, supostamente cometido por um pai e um filho”, afirmou a Comissária da Polícia Federal Australiana, Krissy Barrett, em coletiva. “Essas são as supostas ações daqueles que se aliaram a uma organização terrorista, não a uma religião.”
Redes ligadas ao EI operam nas Filipinas, especialmente no sul do país. Segundo a agência de notícias Reuters, esses grupos foram reduzidos a células que exercem influência na ilha de Mindanao, mas enfraquecidas quando comparadas ao cerco de Marawi em 2017. Autoridades de imigração filipinas disseram que os dois homens viajaram para para Manila e depois para Davao, no sul do país, em 1º de novembro, e foram embora em 28 de novembro.
Sajid viajou com passaporte indiano; Naveed, australiano. As causas da viagem estão sendo investigadas pela polícia. Ainda não há informações se pai e filho receberam treinamentos de grupos terroristas antes de retornarem à Austrália. Eles teriam atirado contra centenas de pessoas no festival de Hanukkah, celebração judaica, durante cerca de 10 minutos. Além das vítimas fatais, ao menos 25 pessoas ficaram feridas e recebem atendimento médico em hospitais em Sydney.
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Ato nobre
A polícia também encontrou um veículo, registrado em nome do jovem, com artefatos explosivos improvisados e duas bandeiras caseiras associadas ao Estado Islâmico. Sajid foi desarmado em um ato nobre e corajoso do civil Ahmed al Ahmed, um muçulmano de 43 anos e pai de dois filhos. Ele foi reconhecido como herói mundo afora, incluindo por líderes internacionais, entre eles o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Uma vaquinha online para Ahmed arrecadou mais de A$ 1,9 milhão (mais de R$ 6,8 milhões).
Nos últimos 16 meses, a Austrália registrou uma onda de ataques contra a comunidade judaica, o que levou o chefe da principal agência de inteligência do país a declarar o antissemitismo como principal prioridade em termos de ameaça à vida. Em visita à praia de Bondi nesta terça, o embaixador israelense Amir Maimon instou o governo local a adotar medidas mais austeras em proteção aos judeus.
“Apenas os australianos de fé judaica são forçados a adorar seus deuses a portas fechadas, sob vigilância por câmeras de segurança e guardas”, lamentou Maimon a repórteres, após depositar flores no memorial temporário e prestar homenagens às vítimas.





