Sob comando de Trump, EUA abandonam oficialmente Acordo de Paris pela segunda vez
Com isso, os Estados Unidos se somam ao Irã, Líbia e Iêmen como os únicos países que não fazem parte do tratado climático
Os Estados Unidos saíram oficialmente nesta terça-feira, 27, do Acordo de Paris pela segunda vez. O presidente Donald Trump também tirou o país do pacto, que visa reduzir emissões de gases de efeito estufa e combater o aquecimento global, no seu primeiro mandato (2017-2021). Com isso, os EUA se somam ao Irã, Líbia e Iêmen como os únicos países que não fazem parte do tratado climático.
O líder americano anunciou a decisão de deixar o Acordo de Paris ao retornar à Casa Branca, em 20 de janeiro, quando fez uma série de ataques à política climática do governo do seu antecessor, o democrata Joe Biden. Neste mês, o governo Trump também comunicou que os EUA se retirarão da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, sob a qual o Acordo de Paris foi adotado. Trata-se, portanto, de uma saída completa da mesa de negociações sobre o clima e da governança climática.
“É quase como se eles estivessem dizendo: não nos importamos com o que vocês querem de nós, seremos os vilões e vocês não podem nos contestar, porque é exatamente isso que dissemos que vocês deveriam esperar de nós”, disse Basav Sen, diretor do projeto de justiça climática do think tank progressista Institute for Policy Studies, ao jornal britânico The Guardian.
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Postura negacionista
Há, contudo, um esforço de outros países para conter as emissões e de investir em energia de baixo carbono. Durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30) em Belém, no Pará, a Colômbia e a Holanda anunciaram planos para sediar as primeiras negociações internacionais voltadas para a eliminação progressiva dos combustíveis fósseis, junto às nações insulares do Pacífico.
Para além desse compromisso, as fontes de energia renováveis representaram mais de 90% da nova capacidade de geração de energia no ano passado, segundo o The Guardian. Mas o posicionamento anticiência da administração Trump pode não só tornar as metas do acordo mais difíceis de alcançar, como excluir o país mais rico do mundo dos esforços para ajudar as nações mais pobres, particularmente afetadas pela mudança climática, a abrirem mão dos combustíveis fósseis.
“Sim, a economia real está caminhando na direção das energias renováveis, energia limpa, etc., mas ainda há um papel para o regime global em termos de enviar sinais políticos e impulsionar essa economia real”, disse Sue Biniaz, ex-enviada adjunta para o clima durante o governo de Joe Biden, ao The Guardian. “Agora, essa ambição vai ficar para trás.”
Como parte da postura negacionista, os EUA também saíram oficialmente da Organização Mundial da Saúde (OMS) na semana passada. De acordo com a agência de notícias Reuters, o cumprimento da promessa que o Trump fez ainda em seu primeiro dia de mandato não só afetará o sistema de saúde a nível global, mas também viola uma lei que exige que Washington pague ao órgão das Nações Unidas uma dívida de US$ 260 milhões em taxas. Washington contribui com quase um quinto do financiamento total da OMS, e sua retirada desencadeou uma crise orçamentária. Sua equipe de gestão foi cortada pela metade, atividades foram reduzidas e houve cortes por toda a agência.





