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Senado dos EUA aprova resolução que barra Trump de novas ações militares na Venezuela

Medida liderada por democratas recebeu apoio de 5 republicanos; Texto exige que presidente passe pelo Congresso para usar força contra Caracas

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 8 jan 2026, 14h11 • Atualizado em 8 jan 2026, 15h12
  • O Senado dos Estados Unidos aprovou nesta quinta-feira, 8, uma resolução para barrar o presidente Donald Trump de ordenar novas ações militares contra a Venezuela, após uma operação no fim de semana que capturou o ditador Nicolás Maduro, em meio a bombardeios a Caracas, da qual o Congresso não tinha conhecimento prévio.

    A medida foi aprovada por 52 votos a 47. Todos os senadores democratas votaram a favor, assim como cinco republicanos: Rand Paul, Todd Young, Lisa Murkowski, Josh Hawley e Susan Collins.

    A resolução sobre poderes de guerra, apresentada pelo senador democrata Tim Kaine, exige que Trump solicite permissão do Congresso antes de atacar ou usar as forças armadas contra a Venezuela. Após a operação de sábado, na qual unidades especiais americanas invadiram Caracas e levaram Maduro para Nova York para ser julgado por “narcoterrorismo”, o presidente disse que não informou os legisladores porque “o Congresso tem a tendência de vazar informações”.

    A ação provocou revolta entre democratas e alguns republicanos, que argumentaram que, sem aprovação do Legislativo, a operação foi ilegal e poderia arrastar os Estados Unidos para um conflito prolongado.

    “Após as ações do governo no fim de semana, que resultaram em vários feridos entre os militares americanos, o Congresso precisa deixar claro ao público americano qual é a sua posição”, disse Kaine em um discurso no plenário do Senado na terça-feira. “A guerra deve ser o último recurso e não deve ser iniciada com base na vontade de uma única pessoa”, acrescentou.

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    A resolução foi a mais recente proposta do Partido Democrata, hoje minoria no Congresso, para interromper a campanha de Trump contra o governo da Venezuela, que se intensificou em setembro, quando o presidente aprovou ataques aéreos contra barcos na costa do país que, segundo ele, transportavam drogas.

    Esses ataques mataram pelo menos 110 pessoas, enquanto especialistas contestaram as alegações da Casa Branca de que as embarcações transportavam substâncias ilícitas com destino aos Estados Unidos. A controvérsia se intensificou depois que veio à tona a informação de que, em um desses bombardeios, os militares americanos optaram por matar dois sobreviventes, ao invés de capturá-los, o que colide com as leis de guerra e a Carta da ONU.

    Resoluções anteriores sobre poderes de guerra, propostas em ambas as casas do Congresso, não haviam sido aprovadas — embora por uma margem estreita. O apoio necessário de ao menos cinco republicanos veio só depois da captura de Maduro, embora muitos no partido de Trump tenham elogiado a operação em Caracas, bem como a extradição do ditador, como usos eficazes do poder dos Estados Unidos.

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