Rússia tem capacidade de lançar drones que podem atingir toda a Europa, diz relatório
Levantamento do International Institute for Strategic Studies aponta manutenção da máquina de guerra de Moscou em meio a quatro anos de conflito com a Ucrânia
Os drones da Rússia já têm capacidade de atingir alvos em até 2 mil quilômetros de distância, fazendo com que grande parte da Europa esteja dentro do seu raio de ataque, segundo análise publicada na terça-feira, 24, pelo think tank International Institute for Strategic Studies (IISS). Embora os gastos no conflito contra a Ucrânia sejam dispendiosos, Moscou tem tido sucesso em manter sua máquina de guerra operacional.
De acordo com o Balanço Militar 2026, relatório anual divulgado pelo IISS, há poucos indícios de que a Rússia tenha perdido capacidade ao longo dos cinco anos de guerra. Na verdade, o poderio bélico do país parece ainda mais relevante, com um contínuo uso de mísseis de cruzeiro, mísseis balísticos e drones de ataque contra as defesas aéreas de Kiev, fazendo com que um sinal de alerta se acenda em todo o continente.
O centro de pesquisas estima que o Kremlin tenha direcionado aproximadamente 955 bilhões de reais para o orçamento da Defesa em 2025. A quantidade representa 7,3% do PIB registrado naquele ano e é um aumento na comparação com 2024, quando o esforço de guerra consumiu 6,7% do produto interno bruto. Mesmo com avanço real de apenas 3% (ante 56,9% em 2024), o montante da despesa já é três vezes maior do que em 2021. Desde o início da invasão em larga escala à Ucrânia, Moscou tem reorientado sua economia para impulsionar os esforços de guerra e mitigar as perdas sofridas.
Embora as perspectivas de Moscou sigam positivas no presente imediato, o IISS alerta que uma desaceleração econômica poderia levar a um possível declínio nos gastos militares reais em 2026. Para além disso, há sinais de que a taxa de recrutamento de soldados esteja abaixo do esperado, podendo forçar um alistamento compulsório que resultaria em instabilidade social.
Atualmente, a Rússia recruta entre 30 e 35 mil pessoas por mês, uma taxa próxima das 35 mil baixas anunciadas pelo Ministério da Defesa em dezembro, e abaixo dos quase 40 mil mortos citados por governos ocidentais.
O cenário se torna ainda mais delicado diante da conjuntura política atual, com o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mostrando pouco apreço pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), entidade que por décadas funcionou como a fiadora da segurança dos europeus. Como consequência, as nações têm impulsionado os gastos militares, buscando reestruturar suas defesas para garantir maior autonomia.
Somente em 2025, a Europa destinou quase 563 bilhões de dólares em orçamento de defesa, um valor 12,6% maior do que o registrado no ano anterior. O maior destaque ficou com a Alemanha, país que orientou 18% do orçamento aos esforços militares. Países como Finlândia, Noruega, Suécia e Dinamarca também se destacam em meio à alta em investimentos.





