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Rússia taxa mulheres que não querem ser mães como questão de saúde que requer psicólogo

Nova diretriz do governo Putin, que manda cidadãs sem filhos entre 18 e 49 anos a consultas, tenta reverter crise demográfica e incentivar natalidade

Por Júlia Sofia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 19 mar 2026, 12h50 • Atualizado em 20 mar 2026, 09h29
  • O governo da Rússia passou a recomendar que mulheres que não desejam ser mães sejam encaminhadas para acompanhamento psicológico, na tentativa de estimular a natalidade e conter uma crise demográfica que avança com velocidade galopante pelo país, informou a imprensa local nesta quinta-feira, 19.

    A medida integra uma nova diretriz do Ministério da Saúde, que orienta médicos a encaminhar cidadãs entre 18 e 49 anos para consultas com psicólogos com o objetivo de promover uma visão “mais positiva” sobre maternidade. Para os homens, recomendações semelhantes foram feitas, mas restritas ao bem-estar físico, sem previsão de acompanhamento por saúde mental.

    O tema da demografia se tornou uma das principais preocupações do presidente Vladimir Putin, que há anos alerta para o risco de encolhimento populacional na Rússia. O Kremlin trata a queda no número de nascimentos como uma questão estratégica, ligada à segurança nacional e ao futuro do país.

    Segundo o documento, mulheres na faixa etária apontada também devem ser convidadas a realizar exames periódicos para avaliação da saúde reprodutiva. A iniciativa foi aprovada no fim de fevereiro, mas só veio a público nesta semana após divulgação pela imprensa local.

    Campo fértil para críticas

    A taxa de natalidade russa está entre as mais baixas da história recente, em torno de 1,4 filho por mulher — bem abaixo do nível de reposição populacional, estimado em 2,1. Especialistas apontam que o cenário é agravado por fatores econômicos, sociais e pelo impacto de conflitos recentes, como a guerra na Ucrânia, que contribuíram para reduzir a população em idade fértil.

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    Nos últimos anos, o governo russo vem adotando uma política mais ampla de incentivo à natalidade. Além de endurecer regras relacionadas ao aborto, o país passou a oferecer benefícios financeiros e sociais para famílias numerosas e a promover campanhas públicas que exaltam a maternidade.

    A nova recomendação, no entanto, tem gerado críticas. Analistas avaliam que a medida pode representar uma tentativa de interferência direta nas decisões reprodutivas das mulheres, ao tratar a escolha de não ter filhos como algo a ser corrigido por meio de orientação psicológica.

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