Rússia forneceu inteligência para Irã atingir alvos dos EUA no Oriente Médio, diz jornal
Segundo 'Washington Post', Moscou ajuda Teerã indiretamente desde o início do conflito, resultando em disparos contra infraestruturas de comando e controle
A Rússia está fornecendo ao Irã informações de inteligência que possibilitam ataques direcionados a infraestruturas de comando e controle dos Estados Unidos no Oriente Médio, informou jornal americano The Washington Post nesta sexta-feira, 6. De acordo com a publicação, Moscou tem auxiliado indiretamente o regime iraniano desde o início do conflito. Essa é a primeira grande indicação de que uma potência rival de Washington participa da guerra.
“Parece que é um esforço bastante abrangente”, disse um oficial com conhecimento do cenário ao Post. No total, três autoridades militares deram informações sobre o caso em condição de anonimato, apontando que Moscou tem revelado a localização de navios de guerra e aeronaves americanas. Ainda não se sabe qual a extensão do auxílio russo a Teerã, e a capacidade das Forças Armadas iranianas de identificar alvos militares dos Estados Unidos foi reduzida em menos de um dia de conflito.
Segundo analistas de inteligência, o compartilhamento de informações entre Moscou e Teerã ajuda a explicar a eficiência dos ataques retaliatórios promovidos pelo regime dos aiatolás, que driblam até mesmo radares de alerta antecipado. Inúmeras instalações de comando e controle foram atingidas nos últimos dias, como uma base de operações militar no Kuwait e a estação da CIA na embaixada americana em Riade, na Arábia Saudita.
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Teerã utilizou centenas de mísseis e milhares de drones para promover ofensivas precisas contra diferentes alvos relacionados aos Estados Unidos ou Israel, sejam civis ou militares. Uma vez que o país possui apenas alguns satélites de grau militar e nenhuma constelação própria de equipamentos orbitais, o possível auxílio de Moscou se mostra providencial — especialmente após o Kremlin aprimorar seus métodos de direcionamento de alvos após anos de conflito na Ucrânia.
Os observadores de plantão avaliam que a sofisticação dos ataques iranianos, muitos dos quais atravessam defesas aéreas, aumentou muito em comparação com a última guerra contra Estados Unidos e Israel, em junho passado, que durou 12 dias.
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A Casa Branca se recusou a comentar qualquer possível ajuda russa a Teerã. A porta-voz Anna Kelly se limitou a afirmar que “o regime iraniano está sendo absolutamente esmagado”. Ela apontou que as retaliações do Irã diminuem a cada dia, sua capacidade de produção foi comprometida, sua Marinha está sendo “dizimada” e sua rede de milícias aliadas no Oriente Médio “mal oferece resistência”.
O relato das autoridades militares ao Post contraria uma declaração anterior do secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, que garantiu que China e Rússia “não são um fator” no conflito. Embora Pequim seja um dos parceiros mais notáveis do regime iraniano, não há aparente apoio aos esforços militares de Teerã até o momento.





