Rússia e Ucrânia se reúnem nesta semana para novas negociações mediadas pelos EUA
Encontro em Genebra tem como objetivo pôr um fim na guerra que em breve completará quatro anos
Autoridades da Rússia e da Ucrânia se reunirão nesta semana na Suíça para uma nova rodada de negociações mediadas pelo governo dos Estados Unidos, na tentativa de pôr um fim na guerra que em breve completará quatro anos. As negociações, que começam na terça-feira 17, têm duração prevista de dois dias.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse nesta segunda-feira que as negociações em Genebra abordariam uma “gama mais ampla de questões”, incluindo questões territoriais e outras demandas apresentadas por Moscou.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, por sua vez, disse esperar que as negociações trilaterais em Genebra sejam “sérias, substantivas” e “úteis para todos nós”.
“Mas honestamente, às vezes parece que os lados estão falando sobre coisas completamente diferentes”, acrescentou Zelensky. “Os americanos muitas vezes voltam ao tópico das concessões, e muitas vezes essas concessões são discutidas apenas no contexto da Ucrânia, não da Rússia.”
A reunião marca a primeira vez que as negociações serão realizadas em solo europeu, após rodadas anteriores em Abu Dhabi e Istambul.
Negociações anteriores
Moscou e Kiev já participaram de duas rodadas de negociações em Abu Dhabi, com mediação de Washington, mas não concretizaram um avanço decisivo, já que ambos mantêm divergências importantes no âmbito territorial.
Na última rodada, que ocorreu entre quarta e quinta-feira passadas, as nações em conflito concordaram com sua primeira troca de prisioneiros em vários meses, embora, segundo os americanos, ainda haja muito trabalho pela frente para alcançar um acordo que ponha fim à guerra.
Durante as negociações, o país de Vladimir Putin permanece firme em suas exigências de concessões, que a Ucrânia rejeita por considerá-las equivalentes a uma rendição.
Como condição prévia para qualquer acordo, Moscou quer que Kiev retire suas tropas de toda a região de Donetsk, incluindo uma linha de cidades fortificadas consideradas uma das defesas mais fortes dos ucranianos. Eles ainda ocupam cerca de 17% da área.
O país de Volodymyr Zelensky, por sua vez, defende que o conflito deve ser congelado ao longo das linhas de frente atuais, rejeita qualquer retirada unilateral de suas forças e busca garantias de segurança ocidentais sólidas para dissuadir a Rússia de retomar a ofensiva após qualquer cessar-fogo. Kiev também quer o controle de Zaporizhzhia, a maior usina nuclear da Europa, que foi tomada pelos russos no início do conflito.
No fim de semana, o presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a culpar Zelensky, sugerindo que a Ucrânia estava medindo os esforços para acabar com a guerra.
“Zelensky precisa agir. A Rússia quer fazer um acordo. Ele precisa agir, caso contrário, perderá uma grande oportunidade”, disse o presidente americano.
A Rússia ocupa cerca de 20% do território nacional da Ucrânia, incluindo a Crimeia e partes da região leste de Donbas. Analistas dizem que as foras russas ganharam cerca de 1,5% do território ucraniano desde o início de 2024.





