Rússia diz que tensão EUA-Venezuela tem ‘consequências imprevisíveis’ para o Ocidente
Diplomata russo pede que Washington contenha escalada e reafirmou o apoio de Moscou ao regime de Nicolás Maduro
O diretor do Departamento da América Latina do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Alexander Shchetinin, afirmou nesta quarta-feira, 17, que a crescente tensão entre Estados Unidos e Venezuela pode gerar “consequências imprevisíveis” para todo o Hemisfério Ocidental.
A declaração foi feita durante cerimônia em homenagem ao 195º aniversário de Simón Bolivar, em Moscou. Em seu discurso, o diplomata reafirmou o apoio do Kremlin ao regime de Nicolás Maduro.
“Esperamos que os responsáveis por fomentar as tensões que se intensificam em toda a Venezuela consigam evitar uma maior escalada da situação, que pode produzir consequências imprevisíveis para todo o Hemisfério Ocidental”, afirmou Shchetinin, em referência aos Estados Unidos. “Confirmamos nosso apoio às políticas do governo Maduro, voltadas para proteger os interesses nacionais e a soberania de sua pátria”, finalizou o diplomata.
O discurso segue a linha adotada por Moscou no que diz respeito à deterioração das relações entre Washington e Caracas. Na última quinta-feira, o presidente russo, Vladimir Putin, telefonou para Maduro, buscando manifestar apoio em meio ao aumento das ações militares americanas na região. A ligação ocorreu um dia após a apreensão de um petroleiro pelas Forças Armadas dos Estados Unidos, episódio definido pelo líder venezuelano como “ato de pirataria”.
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Os petroleiros se tornaram um alvo claro para o presidente americano, Donald Trump. Após a primeira apreensão, Washington impôs sanções a outros seis navios que transportavam o combustível fóssil, e na terça-feira 16, ordenou o bloqueio “total e completo” de todos os petroleiros sancionados que entram e saem da Venezuela. Segundo o presidente, o regime de Maduro usa o recurso para financiar o narcotráfico, o tráfico de pessoas, assassinatos e sequestros.
“Estou ordenando um BLOQUEIO TOTAL E COMPLETO de todos os petroleiros sancionados que entram e saem da Venezuela. Os Estados Unidos não permitirão que criminosos, terroristas ou outros países roubem, ameacem ou prejudiquem nossa nação”, disparou Trump em uma publicação na sua rede, a Truth Social.
Desde o retorno de Trump à Casa Branca, as tensões com Caracas escalaram rapidamente, com o envio de navios de guerra americanos para patrulhar a costa venezuelana e acusações de que o próprio Maduro é o líder de um cartel de drogas. As Forças Armadas americanas bombardearam 26 embarcações próximas à costa venezuelana, supostamente vinculadas ao narcotráfico, resultando em 95 mortos. As operações tornaram-se alvo de críticas de juristas e congressistas americanos, que falam em execuções extrajudiciais e violação do direito internacional.
Trump vem sugerindo repetidamente que a campanha militar pode se expandir dos mares para a terra, ampliando os temores de uma invasão à Venezuela. No início de dezembro, a Casa Branca orientou cidadãos americanos a deixarem a nação sul-americana devido ao “alto risco de detenção ilegal, tortura, terrorismo, sequestro, aplicação arbitrária das leis locais, criminalidade e agitação civil”.
Como resposta, Maduro instruiu unidades militares a promover uma resistência no estilo de guerrilha no caso de uma invasão. De acordo com a agência de notícias Reuters, o cenário é motivado pela consciência de Caracas a respeito da capacidade de seu Exército, que sofre com escassez de efetivo e equipamentos.





