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Rússia diz que pode usar armas nucleares em caso de vitória de Kiev

A declaração foi dada pelo ex-presidente russo e principal aliado de Putin depois de um ataque de drones contra Moscou

Por Da Redação
Atualizado em 1 ago 2023, 16h36 - Publicado em 31 jul 2023, 16h16

O vice-presidente do conselho de segurança da Rússia, Dmitry Medvedev, afirmou nesta segunda-feira, 31, que Moscou pode ser forçada a usar uma arma nuclear se a contraofensiva de Kiev for bem-sucedida. Essa é a mais recente de uma série de ameaças nucleares feitas durante a guerra da Ucrânia pelo principal aliado do presidente russo, Vladimir Putin.

O político, que foi presidente da Rússia de 2008 a 2012, adotou um tom belicoso, levantando repetidamente o espectro de um conflito nuclear com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

“Imaginem que a ofensiva em conjunto com a Otan deu certo e seu desfecho foi a retirada de parte do nosso território. Então teríamos que usar armas nucleares em virtude das estipulações do Decreto Presidencial Russo”, disse Medvedev. “Simplesmente não haveria outra solução. Nossos inimigos devem rezar para nossos combatentes para que não permitam que o mundo seja destruído por chamas nucleares.”

Em abril passado, ele alertou sobre a expansão nuclear russa caso a Suécia e a Finlândia se juntassem à Otan. Helsinque ingressou na aliança militar ocidental no final daquele mês, enquanto o caminho de Estocolmo para a entrada no grupo foi aberto no início deste mês, depois do aval da Turquia.

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Em setembro passado, Medvedev também disse que armas nucleares estratégicas poderiam ser usadas para defender territórios da Ucrânia incorporados à Rússia. Além disso, em janeiro, enquanto os Estados membros da Otan debatiam novos envios de armas a Kiev, Medvedev disse que a derrota de Moscou na guerra poderia levar a um conflito nuclear.

“As potências nucleares não perdem grandes conflitos dos quais depende seu destino. Isso deveria ser óbvio para qualquer um. Mesmo para um político ocidental que reteve apenas alguns traços de inteligência”, escreveu Medvedev em janeiro.

Analistas observam que os comentários de Medvedev novamente levantam a possibilidade de que a Rússia pode perder a guerra após quase 18 meses de desgaste, o que é uma admissão rara de um alto funcionário. O ex-presidente russo se pronunciou poucas horas depois que o Ministério da Defesa do país acusou Kiev de atacar Moscou com drones.

Os Estados Unidos já alertaram a Rússia contra o uso de armas nucleares na Ucrânia, tanto por meio de comunicações diretas privadas quanto por canais públicos, inclusive na Assembleia-Geral das Nações Unidas do ano passado.

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Porém, no mês passado, Putin disse que a Rússia havia transferido um primeiro lote de armas nucleares táticas para Belarus. No Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo, Putin discursou que o restante das armas será transferido “até o final do verão (boreal) ou até o final do ano”.

A Agência de Inteligência de Defesa dos Estados Unidos (DIA) disse que “não tinha motivos para duvidar” da afirmação de Putin de que havia armas nucleares em Belarus. Mas o porta-voz do Departamento de Estado americano, Matthew Miller, disse na época que Washington “não viu nenhuma razão para ajustar sua própria postura nuclear, nem qualquer indicação de que a Rússia está se preparando para usar uma arma nuclear”.

O presidente belarusso, Alexander Lukashenko, disse no mês passado que, diante de uma agressão, ele não hesitaria em usar as armas nucleares táticas russas estacionadas em seu território. Entretanto, os altos funcionários do DIA disseram que não acreditam que Lukashenko tenha qualquer controle sobre o arsenal, que deve ser totalmente controlado pela Rússia.

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De acordo com a Federação de Cientistas Americanos, a Rússia tem cerca de 4.477 ogivas nucleares implantadas e de reserva, incluindo cerca de 1.900 armas nucleares táticas.

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