Rússia diz que negociações dos EUA eram ‘fachada’ e Trump ‘mostrou verdadeira face’
Para Dmitry Medvedev, um dos aliados mais próximos de Vladimir Putin, 'ninguém realmente queria negociar nada'
Ex-presidente e ex-premiê da Rússia, atualmente vice do poderoso Conselho de Segurança russo, Dmitry Medvedev criticou duramente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, neste sábado, 28, após ataques americanos e israelenses contra o Irã.
“O pacificador mostrou mais uma vez a sua verdadeira face”, disse Medvedev, um dos aliados mais próximos de Vladimir Putin, em referência às declarações de Trump de que ele teria encerrado guerras — ao mesmo tempo em que promove operações no Oriente Médio e no Caribe, à exemplo da invasão à Venezuela. “Todas as negociações com o Irã eram fachada. Ninguém duvidava disso. Ninguém realmente queria negociar nada”.
The peacekeeper is at it again. The talks with Iran were just a cover. Everyone knew that. So who has more patience to wait for the enemy’s sorry end now? The US is just 249 years old. The Persian Empire was founded over 2500 years ago. Let’s see what happens in 100 years or so…
— Dmitry Medvedev (@MedvedevRussiaE) February 28, 2026
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Em publicação no X, antigo Twitter, o político ponderou ainda que “a questão é quem tem mais paciência para esperar pelo fim inglório do seu inimigo”.
“Os EUA têm apenas 249 anos. O Império Persa foi fundado há mais de 2.500 anos. Vamos ver daqui a 100 anos…”, disse.
O ataque ao Irã na madrugada deste sábado foi uma ação coordenada dos EUA com Israel, país próximo, que é inimigo histórico do regime dos aiatolás que comandam o país persa. Trump confirmou os ataques e disse que o objetivo é defender o povo americano e garantir “que o Irã não terá uma arma nuclear”.
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Em resposta, o Irã lançou um ataque a instalações militares americanas no Bahrein, no Kuwait e no Catar. O regime também lançou mísseis e drones contra Israel. Ainda não há informações sobre possíveis danos.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã confirmou a retaliação, afirmando que o país “não hesitará” em sua resposta. “Chegou a hora de defender a pátria e enfrentar o ataque militar do inimigo”, publicou o ministério em comunicado na rede social X. “Assim como estávamos preparados para negociações, estivemos ainda mais preparados para a defesa em todos os momentos. As forças armadas da República Islâmica do Irã responderão de forma decisiva aos agressores, com plena autoridade.”
Negociações fracassadas
O ataque deste sábado ocorre após o fracasso da última rodada de negociações entre EUA e Irã, vista como a possível última saída diplomática. Sobre o tema, Trump afirmou: “sempre foi política dos Estados Unidos, em particular da minha administração, que esse regime terrorista jamais poderá ter uma arma nuclear”.
Em sequência, o presidente citou a guerra de junho de 2025, quando os Estados Unidos bombardearam instalações nucleares e militares iranianas durante o conflito entre Israel e Irã.
Na quinta-feira, representantes dos dois países encerraram seis horas de negociações em Genebra sem avanço concreto sobre a principal exigência americana: o desmantelamento completo do programa nuclear iraniano.
Em relatório reservado a seus 35 Estados-membros, a agência Internacional de Energia Atômica afirmou que o Irã estocou parte de seu urânio altamente enriquecido em uma área subterrânea do complexo nuclear de Isfahan, no centro do país. É a primeira vez que o órgão vinculado à ONU especifica o local onde o material com grau de pureza de até 60% estaria guardado. O patamar está tecnicamente próximo dos 90% de enriquecimento considerados necessários para a produção de uma arma nuclear.
A tensão em torno do programa nuclear iraniano se intensificou após a erosão do acordo firmado em 2015, conhecido como Plano de Ação Conjunto Global, que impunha limites rígidos ao enriquecimento de urânio em troca do alívio de sanções. Desde a saída unilateral dos Estados Unidos do pacto, durante o primeiro mandato de Donald Trump, o Irã ampliou progressivamente seus níveis de enriquecimento e reduziu a cooperação com inspetores internacionais.
Ao mesmo tempo em que o campo diplomático encontrava dificuldades para avançar, os EUA seguiam acumulando poderio bélico ao redor do Irã. Na quarta-feira, 25, Washington enviou uma dúzia de caças F-22 para a região, que já contava com dois porta-aviões, 12 contratorpedeiros e três embarcações de combate.
Ao todo, os EUA reuniram sua maior força militar no Oriente Médio desde a invasão ao Iraque, em 2003.





