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Reservas para Copa do Mundo disparam, apesar de temores sobre segurança nos EUA

Números indicam que apelo do maior evento do futebol mundial segue falando mais alto do que apreensão em torno do cenário interno dos EUA

Por Júlia Sofia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 27 jan 2026, 15h43 • Atualizado em 27 jan 2026, 15h57
  • As reservas de voos para a América do Norte dispararam após a divulgação da tabela de jogos da Copa do Mundo de 2026, em dezembro, segundo dados da empresa de tecnologia de viagens Amadeus publicados nesta terça-feira, 27, pela agência de notícias Reuters. O levantamento indica que 18% das passagens já reservadas para o período do torneio — que acontece nos Estados Unidos, México e Canadá entre 11 de junho e 19 de julho de 2026 — foram compradas por viajantes britânicos, com forte adesão de torcedores da Inglaterra e da Escócia.

    O crescimento ocorre apesar de um cenário de apreensão nos Estados Unidos. Desde a eleição de Donald Trump, em novembro de 2024, o turismo europeu para os EUA vinha mostrando sinais de retração, em parte devido ao aumento da fiscalização em fronteiras e aeroportos. Mais recentemente, episódios de violência e tiroteios fatais associados a operações do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), como as detenções em Minneapolis, ampliaram o receio entre turistas estrangeiros.

    Ainda assim, os dados indicam que o interesse pelo torneio permanece elevado. Do total de reservas feitas para o período da Copa, 37% foram realizadas apenas no último mês, após o sorteio dos grupos. O maior pico diário de compras ocorreu para a partida de estreia em Nova York, entre Brasil e Marrocos, com mais de 2.500 reservas de voos registradas em um único dia.

    Analistas destacam que, embora questões relacionadas à segurança continuem influenciando as decisões de viagem, o apelo da Copa do Mundo supera essas preocupações.

    O aquecimento do turismo não se limita aos Estados Unidos. No Canadá e no México, as reservas de hotéis também cresceram. Na Cidade do México, por exemplo, a taxa média de ocupação nos dias que antecedem três partidas previstas para a capital já alcança 21%, contra apenas 4% no mesmo período do ano passado.

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    Apesar do otimismo do setor, o debate sobre a segurança do Mundial ganhou novo fôlego nesta semana após declarações duras de Joseph Blatter, ex-presidente da Fifa. Aos 89 anos, o suíço aconselhou torcedores a evitarem viagens aos Estados Unidos durante a Copa de 2026. “Aos torcedores, um conselho: evitem os Estados Unidos”, escreveu em sua conta na rede X, citando preocupações com abusos recentes por parte dos serviços de imigração.

    Blatter ecoou críticas feitas pelo advogado suíço Mark Pieth, contratado para combater a corrupção dentro da Fifa entre 2011 e 2014, que afirmou que o atual cenário interno americano “dificilmente incentiva os torcedores a irem para lá”.

    “É melhor assistir pela TV”, disse Pieth, alertando que visitantes podem ser barrados ou deportados “se tiverem sorte”.

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