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Quinze anos após Fukushima, Japão avança para reativar maior usina nuclear do mundo

Aposta é baseada em projeto de segurança energética e descarbonização, mas 60% da população teme nova tragédia

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 22 dez 2025, 09h08 •
  • O Japão deu, nesta segunda-feira, 22, o passo final para permitir a retomada de operações na maior usina nuclear do mundo, voltando-se novamente à produção de energia por fusão quase 15 anos após o desastre de Fukushima. A assembleia da província de Niigata aprovou uma moção em favor do governador, Hideyo Hanazumi, que no mês passado deu sinal verde para a reativação da usina de Kashiwazaki-Kariwa, mas esperava a chancela da população.

    Kashiwazaki-Kariwa, a cerca de 220 quilômetros de Tóquio, estava entre os 54 reatores fechados após o terremoto e tsunami de 2011 que devastaram a usina de Fukushima Daiichi, no pior desastre nuclear desde Chernobyl, em 1986. Desde então, o Japão reativou 14 dos 33 reatores operacionais, na tentativa de reduzir sua dependência de combustíveis fósseis importados.

    Esta será a primeira usina operada pela TEPCO, que administrava Fukushima. A empresa considera reativar o primeiro dos sete reatores lá em 20 de janeiro, segundo a emissora pública NHK.

    “Este é um marco, mas não é o fim”, declarou Hanazumi a repórteres após a votação. “Não há fim em termos de garantir a segurança dos moradores de Niigata.”

    Embora os legisladores tenham votado a favor do governador, a sessão da assembleia, a última do ano, expôs divisões profundas da comunidade sobre a reativação — mesmo com a possibilidade de geração de empregos e redução nas contas de luz. A capacidade total de Kashiwazaki-Kariwa é de 8,2 GW, o suficiente para abastecer alguns milhões de residências. A retomada das operações colocaria uma unidade de 1,36 GW em operação no próximo ano e uma outra, com a mesma capacidade, por volta de 2030.

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    Do lado de fora do edifício legislativo, porém, cerca de 300 manifestantes protestaram no frio do inverno japonês, segurando faixas com os dizeres “Não às armas nucleares”, “Nós nos opomos à retomada das operações de Kashiwazaki-Kariwa” e “Apoiem a cidade de Fukushima”.

    No início deste ano, a TEPCO prometeu injetar 100 bilhões de ienes (cerca de R$ 3,5 bilhões, na cotação atual) em Niigata nos próximos 10 anos, buscando conquistar o apoio de habitantes locais. Mas uma pesquisa publicada pela prefeitura em outubro revelou que 60% dos moradores não confiavam que as condições para a retomada das operações tivessem sido atendidas. Quase 70% estavam preocupados com o fato da TEPCO ser responsável pela usina.

    “Continuamos firmemente comprometidos em nunca repetir um acidente como esse e em garantir que os moradores de Niigata jamais vivenciem algo semelhante”, garantiu o porta-voz da TEPCO, Masakatsu Takata.

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    A primeira-ministra do japonesa, Sanae Takaichi, no cargo há dois meses, apoiou a retomada das operações nucleares para fortalecer a segurança energética e compensar o custo dos combustíveis fósseis importados, que representam de 60% a 70% da geração de eletricidade do Japão. Sozinho, o primeiro reator de Kashiwazaki-Kariwa poderia aumentar o fornecimento de eletricidade para a região de Tóquio em 2%, segundo estimativa do Ministério do Comércio.

    O Japão gastou 10,7 trilhões de ienes (cerca de R$ 375 bilhões) no ano passado com importações de gás natural liquefeito e carvão, um décimo do total de seus custos de importação. E apesar de sua população estar diminuindo, o país espera que a demanda por energia aumente na próxima década devido ao crescimento de data centers de inteligência artificial, que consomem muita energia. Para atender a essas necessidades e aos seus compromissos de descarbonização, estabeleceu a meta de dobrar a participação da energia nuclear em sua matriz elétrica para 20% até 2040.

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