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Protestos estudantis se espalham pelo Irã em meio a crise econômica e ameaças externas

Crise econômica e desvalorização da moeda provocam protestos estudantis no Irã

Por Ernesto Neves 30 dez 2025, 14h52 • Atualizado em 30 dez 2025, 14h55
  • Protestos motivados pelo agravamento da crise econômica no Irã se expandiram para universidades em várias cidades nesta terça-feira, com estudantes cantando por liberdade e entrando em confronto com forças de segurança perto de campi, segundo veículos locais e registros em redes sociais.

    O movimento estudantil se soma aos protestos iniciados por comerciantes frustrados pela inflação galopante e pela desvalorização recorde da moeda nacional, que atingiu mínimos históricos no último fim de semana.

    A pressão interna ocorre seis meses após a breve guerra de 12 dias com Israel, durante a qual os Estados Unidos participaram de ataques a instalações nucleares iranianas.

    Agora, os líderes do Irã enfrentam o desafio de estabilizar uma economia em queda enquanto lidam com ameaças externas crescentes.

    Após reunião com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, o presidente americano Donald Trump afirmou que os EUA apoiariam novas ações contra Teerã caso o país tente retomar seu programa nuclear.

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    “Se isso se confirmar, eles conhecem as consequências, que serão muito poderosas, talvez mais que da última vez”, disse Trump. Em resposta, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian advertiu que qualquer invasão sofreria uma retaliação severa.

    Estudantes se manifestaram em pelo menos seis universidades em Teerã e também em Isfahan e Yazd, cantando slogans como “Liberdade! Liberdade! Liberdade!” e “Não tenham medo! Estamos todos juntos”. Confrontos foram registrados próximo à Universidade de Teerã.

    Analistas apontam que o governo, que historicamente reprimiu protestos com violência, agora busca uma abordagem mais conciliatória diante do impacto econômico evidente. “Muitos líderes iranianos finalmente perceberam que ignorar as demandas da sociedade minou sua legitimidade e autoridade”, afirmou Esfandyar Batmanghelidj, diretor do think tank Bourse and Bazaar, em Londres.

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    Na segunda-feira, Pezeshkian instruiu o ministro do Interior a dialogar com os manifestantes e, na terça, reuniu-se com líderes de sindicatos, câmaras de comércio e associações de classe para discutir a situação econômica. Uma porta-voz do governo anunciou que será criado um canal de diálogo com organizadores de protestos.

    Ao mesmo tempo, setores do Estado acusam os manifestantes de agir a serviço de inimigos externos, principalmente Estados Unidos e Israel.

    A agência semioficial Tasnim afirmou que “meios e figuras sionistas” tentam desviar as demandas populares e transformar os protestos em caos.

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    Universidades, órgãos públicos e centros comerciais serão fechados em 18 das 31 províncias nesta quarta-feira, oficialmente para poupar energia e garantir segurança, mas também com efeito de conter manifestações.

    A população, entretanto, sente os efeitos concretos da crise. Comerciantes relatam que a volatilidade cambial e a inflação dificultam a venda de bens como ouro, carros e eletrônicos.

    Economistas alertam que não há soluções rápidas para a crise e que a desconfiança da população nas autoridades aumenta a pressão sobre o governo, que tenta equilibrar resposta interna e relações internacionais em um contexto geopolítico tenso.

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