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Promotoria da Noruega pede quase 8 anos de prisão para filho de princesa acusado de estupro

Procurador Sturla Henriksbo justifica que crime 'pode deixar sequelas duradouras nas vítimas e destruir vidas'; Réu se declarou inocente de parte das acusações

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 18 mar 2026, 09h35 •
  • A Promotoria norueguesa pediu, nesta quarta-feira, 18, uma pena de sete anos e sete meses de prisão para Marius Borg Hoiby, filho da princesa herdeira Mette-Marit, julgado por estupros e agressões contra ex-namoradas.

    “O estupro pode deixar sequelas duradouras e destruir vidas”, argumentou o procurador Sturla Henriksbo no penúltimo dia do julgamento no tribunal de Oslo. “Pode ser algo que a vítima carregue por toda a vida”, justificou.

    Hoiby, filho de uma relação de sua mãe anterior ao casamento com o príncipe herdeiro Haakon, permanece sob custódia durante o julgamento, onde enfrenta 40 acusações que podem totalizar 16 anos de prisão.

    O homem de 29 anos admite alguns atos, mas nega as acusações mais graves, em particular os supostos estupros de quatro mulheres que não tinham condições de reagir.

    Vestido com jeans e uma camisa polo azul de mangas curtas que deixava à mostra suas tatuagens, Hoiby, que não é formalmente membro da família real, permaneceu impassível ao ouvir a pena solicitada contra ele.

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    O caso

    As investigações tiveram início em agosto de 2024, após ele ser preso por agredir a namorada na noite anterior. Os quatro estupros pelos quais é processado teriam acontecido em 2018, 2023 e 2024. Após confiscar telefones e computadores, a polícia encontrou filmes e vídeos que documentavam os supostos crimes pelos quais foi acusado.

    As quatro supostas vítimas de agressão sexual não perceberam que haviam sido estupradas — segundo a acusação — até mais tarde, quando a polícia lhes mostrou as imagens e explicou sua natureza potencialmente criminosa.

    Hoiby se declarou inocente das acusações de estupro, mas anteriormente admitiu culpa por agressão e vandalismo no incidente com sua ex-namorada. Segundo ele, suas ações foram resultado da “influência de álcool e cocaína após uma discussão”, tendo sofrido “problemas de saúde mental” e lutado “por um longo tempo contra o abuso de substâncias”.

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    O advogado de defesa Petar Sekulic declarou, quando seu cliente foi denunciado, que ele “nega todas as acusações de abuso sexual, bem como a maioria das acusações relacionadas à violência”.

    Após a declaração da acusação, os representantes das supostas vítimas se pronunciarão e, em seguida, a defesa apresentará suas alegações finais nesta quinta-feira, 19.

    O veredicto não é esperado antes de várias semanas, ou mesmo meses.

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    Mancha para a monarquia

    Marius Borg Hoiby é filho da princesa Mette-Marit — esposa de Haakon, primeiro na linha de sucessão ao trono da Noruega — de um relacionamento anterior com Morten Borg. O menino foi criado ao lado da princesa Ingrid Alexandra, 21 anos, e do príncipe Sverre Magnus, 19, seus meio-irmãos. Mas, ao contrário deles, não tem funções públicas oficiais e está fora da linha de sucessão real do país.

    Apesar das tentativas de Mette-Marit de protegê-lo dos holofotes, ele tem feito manchetes ao longo dos anos. Segundo a mídia norueguesa, o royal, um loiro alto e robusto que cultiva um visual “bad boy” com cabelo penteado para trás, brincos, anéis e tatuagens, mantinha em sua companhia membros de gangues e da máfia albanesa de Oslo.

    Na época das primeiras acusações de estupro, o príncipe Haakon disse à emissora pública da Noruega, a NRK, que a situação está afetando todos ao redor do jovem. “Essas são acusações sérias que Marius está enfrentando agora. Hoje, é claro que estamos pensando em todos os afetados”, disse ele, acrescentando que a polícia e o sistema judicial devem ter espaço para fazer seu trabalho.

    Em uma rara declaração, o futuro rei norueguês anunciou perto do início do julgamento que ele e a esposa não compareceriam ao tribunal e que a Casa Real não faria comentários durante o processo. Ele ressaltou que Hoiby não faz parte da Casa Real e que, como cidadão norueguês, tem os mesmos deveres e direitos que qualquer outra pessoa. Disse ainda confiar que todos os envolvidos conduzirão o julgamento da forma mais ordeira, correta e justa possível.

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