Promotoria da Coreia do Sul pede pena de 10 anos contra ex-presidente que impôs lei marcial
Yoon Suk Yeol é alvo de diferentes processos relacionados à sua fracassada tentativa de golpe em dezembro do ano passado
A Promotoria de Justiça da Coreia do Sul solicitou uma pena de dez anos de prisão para o ex-presidente Yoon Suk Yeol, após sua tentativa fracassada de impor a lei marcial no país em dezembro do ano passado. O pedido, apresentado nesta sexta-feira, 26, diz respeito a um processo que apura uma manobra para obstruir o cumprimento de sua detenção após ser derrubado do cargo.
“O réu, que deveria salvaguardar a constituição e defender o Estado de Direito, abusou de seu poder e prejudicou o público”, afirmou um promotor durante o julgamento. “Ele não pediu desculpas ou demonstrou remorso ao público, mas tentou transferir a culpa para seus assessores”, acrescentou.
Yoon é acusado de obstruir sua prisão em janeiro, barricando-se dentro do complexo presidencial para impedir que investigadores chegassem até ele. Esta foi a primeira pena solicitada pela promotoria contra Yoon, que ainda enfrenta outras acusações.
Os promotores também afirmaram que o ex-mandatário não seguiu os requisitos necessários para convocar todos os membros de seu gabinete antes de anunciar a lei marcial — excluindo ministros da reunião final sobre o tema — e que ele teria espalhado informações falsas a jornalistas de veículos internacionais. De acordo com a imprensa local, uma decisão a respeito do caso deve ser tomada no dia 16 de janeiro.
Em paralelo, Yoon tem outro processo em aberto, por insurreição. Caso condenado, ele pode ser sentenciado à prisão perpétua ou até à morte. O ex-presidente também foi indiciado por suposta violação da Lei de Eleições de Funcionários Públicos por um promotor especial que investiga sua esposa, Kim Keon Hee, por manipulação e suborno. Aos 65 anos de idade, Yoon nega todas as acusações contra ele.
Golpe malsucedido
Os problemas jurídicos de Yoon decorrem de sua tentativa malsucedida de suspender o regime civil no país, ocorrida em 3 de dezembro de 2024. Uma ação do tipo não ocorria na Coreia do Sul em mais de 40 anos, e desencadeou protestos massivos e intensos debates no Parlamento.
Em abril, o mandatário foi destituído de seu cargo pelo Tribunal Constitucional, sendo alvo de uma série de processos judiciais resultantes da tentativa de imposição da lei marcial. Na época, Yoon defendeu a necessidade da medida para combater atividades classificadas como “pró-China” e “pró-Coreia do Norte” em território sul-coreano.





