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Prisão de migrantes na fronteira dos EUA com México cresceu 32% em maio

Esta é a maior cifra para um único mês dos últimos 13 anos e representa 35.134 detenções a mais do que em abril

O número de migrantes centro-americanos que tentam entrar ilegalmente nos Estados Unidos cresceu ainda mais em maio, segundo dados divulgados pelo governo americano nesta quarta-feira, 5. Mais de 144.000 pessoas foram presas na fronteira do país com o México no último mês, um aumento de 32% em relação a abril.

Esse é de longe o maior número de detenções realizadas em um único mês desde que Donald Trump assumiu a Presidência em janeiro de 2017. Também é a maior cifra dos últimos 13 anos, segundo o Escritório de Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP).

Ao todo, 144.278 migrantes foram presos. A grande maioria tentou cruzar a fronteira ilegalmente, enquanto 10% chegou aos postos de controle sem a documentação necessária.

Em abril, 109.144 pessoas foram colocadas sob custódia nas mesmas situações.

As prisões são consequência do número cada vez maior de famílias centro-americanas que tentam entrar nos Estados Unidos. A maioria dos migrantes vem de países como Guatemala, Honduras e El Salvador.

Segundo agentes do CBP, as celas dos centros de detenção instalados na fronteira estão “explodindo” com tantos adultos e crianças capturadas.

“Estamos vivendo uma emergência completa”, afirmou o comissário da CBP, John Sanders, a jornalistas. “O sistema está quebrado”.

Sanders afirmou ainda que sua agência prendeu mais de 680.000 pessoas tentando cruzar a fronteira nos últimos oito meses, observando que o total é “mais do que a população de Miami”.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou em fevereiro emergência nacional na fronteira, uma medida tomada após o Congresso negar a destinação de recursos para a construção do prometido muro na fronteira americana com o México.

A Câmara dos Representantes e o Senado aprovaram uma resolução que revertia a declaração de emergência de Trump, mas o presidente exerceu o poder de veto para manter o status na fronteira.

Segundo o jornal The Washington Post, o governo Trump também decidiu cancelar as aulas de inglês, programas recreativos e esportivos e a assistência jurídica para menores não acompanhados que foram presos tentando cruzar a fronteira. As crianças e adolescentes estão sob custódia do Estado, em abrigos federais dedicados especialmente para imigrantes em todo o país.

A atual administração alega que o enorme fluxo de pessoas entrando no país pelo sul criou grande pressão orçamentária, tornando os cortes necessários.

México

Na semana passada, Trump anunciou a imposição de uma tarifa sobre todos os produtos mexicanos vendidos aos Estados Unidos se o governo de Andrés Manuel López Obrador não interromper o aumento no número de imigrantes, especialmente da América Central, que cruzam para os Estados Unidos, saindo do México.

Segundo o presidente americano, as novas tarifas de 5% começarão a vigorar na próxima semana.

O governo mexicano, contudo, disse esperar chegar a um acordo sobre imigração antes da aplicação das tarifas punitivas. Uma delegação está desde sábado em Washington tentando convencer as autoridades americanas de que a medida anunciada por Trump seria “contraproducente”.

Nesta quarta, o principal assessor comercial da Casa Branca, Peter Navarro, afirmou que “pode ser que as sobretaxas não entrem em vigor”, uma vez que já foi atraída “a atenção do México” sobre a necessidade de conter o fluxo migratório ilegal e de reforçar sua fronteira com a Guatemala.