Prisão de Andrew agrava crise política e pressiona premiê Keir Starmer
Novas revelações sobre laços de aliado do primeiro-ministro britânico com Epstein provocaram demissões no governo
A prisão de Andrew Mountbatten-Windsor, ex-duque de York, nesta quinta-feira, 19, ocorreu em meio a uma nova onda de revelações sobre o financista americano Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais e morto em 2019.
O caso reacendeu questionamentos sobre os vínculos de figuras centrais do establishment britânico com Epstein e colocou sob pressão o primeiro-ministro Keir Starmer.
Starmer enfrentou pedidos de renúncia dentro do próprio Labour Party após a divulgação de correspondências que indicariam uma relação mais próxima do que se sabia entre Epstein e Peter Mandelson, nomeado pelo premiê como embaixador do Reino Unido nos Estados Unidos.
O líder do Partido Trabalhista escocês, Anas Sarwar, afirmou que Starmer demonstrou “mau julgamento” ao manter Mandelson no cargo mesmo sabendo da proximidade entre ele e Epstein e defendeu sua saída do governo.
O premiê, porém, declarou que desconhecia a extensão da relação quando fez a nomeação e acusou o ex-embaixador de mentir sobre a profundidade dos vínculos.
Ele prometeu permanecer no cargo e recebeu apoio público de todos os membros de seu gabinete, que avaliaram que uma troca de liderança seria prejudicial à estabilidade do governo.
Apesar do respaldo interno, a crise já produziu baixas. Morgan McSweeney, chefe de gabinete de Starmer e aliado histórico de Mandelson, renunciou. Tim Allan, diretor de comunicações do premiê e também próximo ao ex-embaixador, deixou o cargo.
A turbulência política ocorre paralelamente ao avanço das investigações policiais.
A Thames Valley Police apura se Mandelson cometeu “misconduct in public office” (má conduta em cargo público) ao supostamente compartilhar documentos sensíveis do governo britânico com Epstein durante passagem anterior pelo governo.
E-mails divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA mostram que Mandelson teria encaminhado um memorando econômico interno e repassado informações sobre uma votação relacionada a um resgate financeiro na União Europeia.
Mandelson nega qualquer ilegalidade. Andrew Mountbatten-Windsor também rejeita as acusações que pesam contra ele.
O governo concordou em entregar milhares de páginas de correspondência interna relacionadas ao processo de nomeação de Mandelson.
Os documentos podem ser divulgados a qualquer momento, e auxiliares do premiê em 10 Downing Street admitem, nos bastidores, preocupação com o teor do material.
No plano jurídico, a polícia britânica alertou que o caso está formalmente ativo e que a cobertura deve respeitar a legislação que restringe publicações capazes de prejudicar um eventual julgamento.
A referência é à lei de desacato ao tribunal de 1981, que proíbe a divulgação de conteúdo que crie “risco substancial” de comprometer o curso da Justiça, norma que se aplica tanto à imprensa quanto a cidadãos comuns.
A combinação entre crise política e investigação criminal amplia a pressão sobre o governo trabalhista e mantém o escândalo Epstein no centro da vida pública britânica, com potenciais desdobramentos institucionais nas próximas semanas.





