Pressionado por Trump, Zelensky propõe referendo sobre concessões territoriais à Rússia
Líder ucraniano também confirmou envio de uma versão atualizada do plano de paz elaborado pelos EUA, considerado favorável aos russos
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou nesta quinta-feira, 11, que qualquer concessão territorial terá de passar por referendo, após confirmar o envio de uma versão atualizada do plano de paz aos Estados Unidos. A proposta americana, considerada favorável a Moscou por Kiev e aliados europeus, previa uma capitulação: seria preciso ceder a região do Donbas, ainda parcialmente controlada pelas tropas ucranianas, à Rússia.
“A resposta deve vir do povo da Ucrânia. Seja por eleição ou referendo”, advertiu.
Zelensky disse que o documento revisado inclui garantias de segurança, mecanismos de reconstrução e alterações propostas por Kiev para tornar o acordo “viável”. O líder ucraniano também afirmou que o governo Trump sugeriram a retirada dos soldados do Donbas para que seja criada uma “zona econômica livre” — uma ideia criticada por ele, já que os EUA “não sabem” quem governará a região.
O presidente negou ter recebido qualquer ultimato de Washington, mas admitiu que a Casa Branca quer acelerar as negociações. “Eles querem entender onde estamos até o Natal”, disse Zelensky, ressaltando que a posição militar do país pode determinar as negociações: “Muito depende do nosso exército e do território que conseguirmos manter sob controle”.
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Apoio europeu
A movimentação ocorre em meio à crescente pressão internacional. O chanceler alemão, Friedrich Merz, afirmou que líderes europeus discutiram o tema em ligação recente com Trump e que o debate gira justamente em torno de potenciais concessões territoriais. Merz alertou, porém, que forçar Kiev a aceitar um acordo impopular seria um erro.
Em paralelo, o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte, disse que a Europa deve se preparar para um conflito em escala similar à da Segunda Guerra Mundial e alertou que a Rússia pode testar a aliança militar “em até cinco anos”.
Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, acusou países europeus de buscarem apenas um cessar-fogo imediato, e não uma paz duradoura. Ele também afirmou que algumas cláusulas sensíveis presentes no plano original — como garantias às minorias e limitações a “ideologias nazistas” — teriam desaparecido na versão mais recente.
Segundo a imprensa americana, a minuta atual prevê uma zona desmilitarizada, garantias de segurança equivalentes ao Artigo 5 da Otan e um caminho acelerado para adesão da Ucrânia à União Europeia (UE) até 2027. O trecho original que impedia a entrada da Ucrânia no bloco europeu teria sido, portanto, removido.
A resposta escrita enviada por Kiev inclui observações sobre pontos de atrito, como o controle das áreas ocupadas e a usina nuclear de Zaporizhzhia. Uma nova reunião entre militares americanos e ucranianos ainda deve ocorrer para detalhar pendências.
Trump insinuou nesta semana que Zelensky seria o “obstáculo” a um acordo e disse que Kiev “terá de entrar no jogo” — o que, segundo ele, envolve ceder território e aceitar limitações à adesão à Otan. O Kremlin ecoou as declarações. Lavrov chegou a afirmar que o republicano é “o único líder ocidental” a demonstrar compreensão das causas do conflito.





