Presidente interina da Venezuela demite poderoso ministro da Defesa, aliado de Maduro
Vladimir Padrino López havia se tornado o eixo militar sobre o qual repousava a continuidade do chavismo após a captura do ex-ditador pelos EUA
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, demitiu nesta quarta-feira, 18, o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, que esteve à frente das Forças Armadas chavistas durante mais de uma década. Antigo aliado de Nicolás Maduro, ele havia se tornado o eixo militar sobre o qual repousava a continuidade do chavismo após a captura do ex-ditador por forças americanas em janeiro.
Delcy assumiu funções temporárias após Maduro ser deposto na operação dos Estados Unidos. Os militares, pilar do chavismo, expressaram-lhe seu apoio irrestrito e absoluta “lealdade” na ausência do líder de esquerda.
Padrino, de 62 anos, estava no cargo desde 2014 e era considerado a peça de Maduro dentro da cúpula militar.
“Agradecemos ao G/J (general em chefe) Vladimir Padrino López por sua entrega, sua lealdade à Pátria e por ter sido, durante todos estes anos, o primeiro soldado na defesa de nosso país”, escreveu Delcy no aplicativo de mensagens Telegram. “Estamos certos de que assumirá com o mesmo compromisso e honra as novas responsabilidades que lhe serão confiadas”, acrescentou, sem detalhá-las.
A presidente interina também nomeou Gustavo González López para chefiar o Ministério da Defesa. Poucos dias após a queda de Maduro, ele havia sido designado como chefe da guarda presidencial e da temida direção de contrainteligência.
Além das armas, os militares na Venezuela controlam empresas de mineração, petróleo e distribuição de alimentos, assim como as aduanas e importantes ministérios, em meio a numerosas denúncias de abusos e corrupção.
Quem é Padrino López
A mudança impressiona. Detentor de uma confiança por parte da elite venezuelana que remonta ao início do primeiro governo de Hugo Chávez, Padrino desempenhava um papel central como ponte entre os “anos dourados” do chavismo e a incerteza da atual administração.
Amigo próximo de Chávez (ambos se conheceram nos quartéis), ele participou do golpe de Estado fracassado que tentou instalar o generalíssimo no poder em 1992, quando era comandante do Batalhão Bolívar de Caracas. Anos depois, quando foi Chávez a sofrer um golpe em 2002, Padrino foi fundamental para o retorno do mandatário venezuelano a Miraflores. Duas semanas depois, o governo reconheceu essa fidelidade com uma condecoração e uma promoção que o consolidou como um dos homens de confiança do projeto chavista.
Em julho de 2012, poucos meses antes da morte do líder, foi nomeado segundo comandante do Exército e chefe do Estado-Maior. Dali, assumiu uma função simbólica e política: garantir a continuidade de um chavismo sem seu fundador. Em seguida, já sob o regime Maduro, seu papel se expandiu como ministro da Defesa, tornando-se figura fundamental para manter o apoio militar ao sucessor menos carismático (e que nem pertencia ao Exército) do líder chavista.
Sua relevância após o ataque americano a Caracas parecia ter objetivo semelhante: conter possíveis impulsos internos da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB) em um contexto de incerteza, preservando a coesão no Exército para evitar fissuras que possam ser percebidas como sinal de fraqueza, ou até mesmo dissidências. Por isso, analistas ficarão de olho na Venezuela para tentar entender a demissão de figura tão essencial para a administração de Delcy.





