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Presidente do Irã nega meta de bomba atômica e admite ‘vergonha’ por repressão a protestos

Após manifestações e em meio a impasse com os EUA, Masoud Pezeshkian discursa diante de multidões reunidas pelo aniversário da Revolução Islâmica

Por Júlia Sofia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 11 fev 2026, 16h16 • Atualizado em 11 fev 2026, 16h33
  • O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, admitiu nesta quarta-feira, 11, sentir “grande vergonha” após a repressão violenta aos protestos que abalaram o regime nos últimos meses e disse que o país não tem objetivo de fabricar armas nucleares. As declarações foram feitas durante as comemorações do aniversário da Revolução Islâmica de 1979, em meio a um cenário de tensão interna e de incerteza com os Estados Unidos, que vêm ameaçando um confronto militar.

    Diante de multidões reunidas em atos oficiais pelo país, Pezeshkian tentou transmitir uma mensagem de união nacional após as manifestações que desencadearam uma das crises mais delicadas enfrentadas pelo regime dos aiatolás nos últimos anos. Sem mencionar diretamente o derramamento de sangue causado pelas autoridades, ele reconheceu o impacto dos episódios recentes.

    “Estamos envergonhados perante o povo. Temos a obrigação de servir a todos que foram prejudicados nesse processo. Estamos prontos para ouvir a voz da população. Somos servidores do povo e não buscamos confrontá-lo”, afirmou.

    As manifestações no início do ano resultaram em confrontos com as forças de segurança, prisões em massa e, segundo ONGs, mais de 6 mil mortos, incluindo crianças. Um sindicato de professores estima que ao menos 213 menores tenham perdido a vida durante os protestos.

    Apesar do discurso conciliador, o presidente evitou atender ao apelo de líderes reformistas para exigir a libertação de dirigentes detidos recentemente. A Frente Reformista alertou que o silêncio do governo seria interpretado como traição às promessas feitas na campanha de Pezeshkian e um “golpe à paz”. Advogados dos presos afirmam que eles estariam mantidos em confinamento solitário, enquanto veículos alinhados às forças de segurança os acusam de “sedição” por tentarem organizar uma conferência nacional com objetivo de provocar mudanças políticas.

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    As comemorações oficiais da Revolução Islâmica foram marcadas por grandes atos pró-governo exibidos pela televisão estatal, com bandeiras americanas queimadas e gritos de “morte à América”. Na véspera, porém, moradores de Teerã relataram ouvir, a partir de janelas e telhados, gritos de “morte ao ditador”, referência ao líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, evidenciando a divisão interna no país.

    Programa nuclear iraniano

    As tratativas entre Teerã e Washington sobre o programa nuclear iraniano permanecem incertas. O presidente Pezeshkian reiterou estar disposto a negociar e “pronto para qualquer tipo de verificação” que comprove que o país não busca desenvolver armas atômicas.

    No entanto, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão de fiscalização nuclear das Nações Unidas, não consegue realizar inspeções completas no estoque nuclear iraniano há meses, o que alimenta a desconfiança ocidental.

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    “O alto muro de desconfiança criado pelos Estados Unidos e pela Europa, por meio de declarações e ações passadas, não permite que essas conversas avancem”, declarou Pezeshkian. “Ao mesmo tempo, estamos empenhados com total determinação em dialogar com os nossos países vizinhos, visando a paz e a estabilidade na região.”

    A possibilidade de um confronto militar está em cima da mesa. Do lado americano, o presidente Donald Trump afirmou na terça-feira 10 que considera enviar uma segunda frota de ataque com porta-aviões ao Oriente Médio caso as negociações fracassem. O governo iraniano, por sua vez, tem reiterado que está preparado para enfrentar qualquer confronto militar.

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