Presidente da federação de futebol do Irã põe em dúvida presença do país na Copa do Mundo
Dirigente questiona disputa do mundial nos EUA em meio à guerra no Oriente Médio
O presidente da Federação de Futebol do Irã (FFIRI), Mehdi Taj, voltou a colocar em dúvida a participação da seleção iraniana na Copa do Mundo, que será disputada neste ano nos Estados Unidos, no México e no Canadá. Em entrevista à televisão estatal nesta terça-feira, 10, o dirigente afirmou que o atual cenário de guerra e as tensões diplomáticas com Washington colocam em xeque a presença do país no torneio.
Taj criticou diretamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após a Austrália conceder asilo político a cinco jogadoras da seleção feminina iraniana durante a disputa da Copa da Ásia no país da Oceania. As atletas haviam sido acusadas de “traição” pelo regime de Teerã depois de se recusarem a cantar o hino nacional antes da partida de estreia contra a Coreia do Sul.
Segundo o ministro do Interior da Austrália, Tony Burke, a concessão de asilo foi motivada pelo risco de perseguição caso as jogadoras retornassem ao Irã.
Ao comentar o caso, Taj acusou Washington de interferência política e mencionou um bombardeio ocorrido no início da guerra na cidade de Minab, no sul do Irã. O ataque atingiu uma escola infantil para meninas e deixou ao menos 175 mortos, entre crianças e funcionárias. Autoridades iranianas afirmam que a ofensiva fez parte de uma operação aérea conjunta conduzida por Estados Unidos e Israel.
“O presidente americano escreveu dois tuítes pedindo que fosse concedido asilo político às nossas jogadoras e disse que, se a Austrália não o fizesse, ele próprio o faria. Ele fez 160 mártires ao matar nossas crianças em Minab e agora está sequestrando nossas meninas. Como podemos ser otimistas nessas condições em relação à Copa do Mundo nos Estados Unidos?”, afirmou.
Apesar da tensão diplomática, o Irã já tem dois dos três jogos da fase de grupos do Mundial marcados em Los Angeles — contra Bélgica e Nova Zelândia — e outro em Seattle, diante do Egito.
“Se a Copa acontecesse nessas condições, quem em sã consciência enviaria sua seleção nacional para um lugar assim?”, acrescentou p dirigente.
Na semana passada, Taj já havia levantado dúvidas sobre a presença da seleção no torneio, previsto para ocorrer entre 11 de junho e 19 de julho de 2026.





