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Pouco popular, Fumio Kishida pode se tornar próximo premiê do Japão

Ex-ministro das Relações Exteriores é conhecido pela dificuldade em lidar com o público; boa relação com chineses pode aliviar tensões entre países

Por Da Redação Atualizado em 29 set 2021, 12h46 - Publicado em 29 set 2021, 12h45

Ex-ministro das Relações Exteriores do Japão, Fumio Kishida deve se tornar o novo primeiro-ministro do país após ser eleito presidente do Partido Liberal Democrata nesta quarta-feira, 29, com o anúncio oficial previsto para a próxima semana. Kishida venceu o líder do programa de vacinação contra a Covid-19 no país, Taro Kono, por uma diferença de 87 votos, em uma votação composta por legisladores e membros comuns do partido. 

O ex-ministro se tornou líder do PLD após um acordo entre os partidários, embora especialistas políticos apontem que sua dificuldade em se comunicar com a população e a falta de carisma podem ser um fator preocupante, principalmente em comparação com seu adversário.

Kishida foi apoiado por um dos maiores grupos do partido, porém liderou por apenas um voto nas eleições do primeiro turno. De acordo com empresas de consultoria do país, no entanto, o político recebeu apoio da candidata ultraconservadora Sanae Takaichi, eliminada após terminar a votação em terceiro lugar.

Além disso, análises apontam que o ex-ministro conseguiu muitos votos de uma parcela mais conservadora, uma vez que Kono defendia medidas mais liberais como a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo e o fim da energia nuclear. 

Uma vez que o PLD tem amplo domínio sobre câmara baixa — uma das duas câmaras do poder legislativo japonês — é esperado que Kishida se torne primeiro-ministro já no mês que vem. Além disso, o novo líder garante ainda no mínimo mais quatro anos de poder à sigla, já que a oposição, o Partido Democrático Constitucional do Japão, tem lutado para conseguir votos, dificilmente ultrapassando os 10%.

Analistas políticos do país indicam uma série de questões de longa data que precisam ser resolvidas já nos primeiros meses de governo, como o envelhecimento da população e a recuperação da economia no período pós-Covid-19.

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Outra questão fundamental é a crescente tensão com a China. O avanço dos chineses nos territórios do Mar da China Oriental, reivindicados por ambos os países, além do recente apoio japonês a Taiwan estremeceu as relações entre Pequim e Tóquio. 

Pela experiência como ministro das Relações Exteriores, é esperado que ele consiga lidar de maneira razoável com o vizinho. No entanto, apesar de defender um diálogo contínuo com os chineses, à medida que a China representa o maior parceiro comercial do Japão, o político já prometeu adotar uma linha militar mais dura e um aumento do orçamento de defesa para lidar com a ameaça representada por Pequim. 

Em relação à economia, Kishida diz que o Japão precisa de um “novo capitalismo” para ajudar a reduzir as lacunas entre ricos e pobres, que cresceram ainda mais devido à pandemia do novo coronavírus. Ele diz ainda que o país precisa de um novo pacote de estímulo, além de reservar cerca de 90 bilhões de dólares para financiar desenvolvimentos científicos e investir em fontes de energias renováveis. Por fim, defendeu também o abandono da desregulamentação dos negócios, iniciada no início dos anos 2000. 

Desde que o atual primeiro-ministro, Yoshihide Suga, anunciou que não irá permanecer no cargo, a economia japonesa tem visto um crescimento além do esperado, porém o aumento de casos e mortes por Covid-19 nos meses de julho e agosto trazem uma maré de incerteza para a questão.

Definido por seus pares políticos como moderado, Fumio Kishida terá a missão de reconquistar o apoio popular e melhorar os índices de aprovação do governo. Um dos caminhos para isso é a redução da desigualdade social, que ajudará a melhorar a imagem do partido e, consequentemente, mantê-lo no poder por mais tempo.

Porém, sua ausência de carisma pode se tornar uma grande dificuldade, principalmente em comparação com o seu adversário, Taro Kono.

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