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Post de mulher de assessor de Trump sobre a Groenlândia provoca reação da Dinamarca

Imagem publicada por Katie Miller reacende temor de anexação da ilha ártica, enquanto Trump volta a defender controle de territórios

Por Ernesto Neves 4 jan 2026, 12h01 • Atualizado em 5 jan 2026, 10h06
  • Em meio à ofensiva militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, um gesto simbólico envolvendo a Groenlândia reacendeu tensões diplomáticas entre Washington e Copenhague. A reação veio após Katie Miller, esposa do chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller, divulgar nas redes sociais uma imagem da ilha ártica — território autônomo sob soberania dinamarquesa — coberta pelas cores da bandeira americana, acompanhada apenas da palavra “Soon” (“em breve”).

    A publicação ocorreu poucas horas depois de os Estados Unidos anunciarem a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, retirado do país em uma operação militar surpresa e levado a Nova York para responder a acusações de narcoterrorismo. O timing da postagem foi interpretado por autoridades europeias como provocativo, sobretudo diante do histórico recente de declarações do presidente Donald Trump sobre a Groenlândia.

    Neste domingo (4), o embaixador da Dinamarca em Washington, Jesper Møller Sørensen, reagiu publicamente e pediu “respeito total” à integridade territorial do Reino da Dinamarca. Em mensagem dirigida ao governo americano, o diplomata ressaltou que Dinamarca e Estados Unidos são aliados próximos e que essa relação pressupõe cooperação e respeito mútuo. “Esperamos, naturalmente, o pleno respeito à soberania dinamarquesa”, afirmou.

    Desde que reassumiu a Presidência, em janeiro, Trump voltou a mencionar repetidamente a Groenlândia como um território de interesse estratégico para os Estados Unidos.

    O presidente tem argumentado que a ilha, rica em minerais raros e localizada em uma região-chave do Ártico, é fundamental para a segurança nacional americana diante do avanço da Rússia e da China.

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    Em diferentes ocasiões, Trump declarou que os EUA “precisam” da Groenlândia e se recusou a afastar, de forma categórica, a possibilidade de recorrer a meios coercitivos para ampliar sua influência sobre o território.

    As declarações retomam uma controvérsia iniciada ainda durante o primeiro mandato de Trump, quando ele sugeriu a compra da Groenlândia, proposta rejeitada de imediato por autoridades dinamarquesas e pelo governo local.

    Desde então, o tema voltou ao discurso presidencial em tom mais assertivo, agora associado a preocupações militares, controle de rotas no Ártico e acesso a recursos naturais estratégicos.

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    A postagem de Katie Miller também foi interpretada à luz da ação americana na Venezuela. Especialistas em política internacional avaliam que a operação que resultou na queda de Maduro funciona como um recado mais amplo, não apenas a adversários, mas também a aliados inquietos com a disposição de Trump de usar força ou pressão direta para garantir acesso a ativos considerados estratégicos. No caso venezuelano, o próprio presidente deixou explícito o interesse no petróleo do país e afirmou que grandes companhias americanas assumirão a exploração das reservas, prometendo investimentos bilionários e controle da produção.

    Embora a Casa Branca não tenha comentado oficialmente a publicação envolvendo a Groenlândia, o episódio reforça o clima de apreensão entre parceiros tradicionais dos EUA, que observam com cautela a combinação entre retórica expansionista, ações militares recentes e sinais ambíguos emitidos por integrantes do entorno mais próximo do presidente.

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