Político britânico cai em desgraça após aparecer no caso Epstein
Após novas revelações de sua relação com o notório criminoso sexual, Peter Mandelson renunciou à sua filiação ao Partido Trabalhista
Ex-embaixador britânico nos Estados Unidos, Peter Mandelson renunciou à sua filiação ao Partido Trabalhista após novas informações sobre sua relação com o notório predador sexual Jeffrey Epstein serem reveladas pelo Departamento de Justiça Americano. Documentos divulgados na sexta-feira, 30, mostram ele mantendo Epstein informado sobre alterações na política fiscal britânica e incluem extratos de pagamentos feitos pelo criminoso ao político — além de incluir uma controversa foto do mesmo de cuecas ao lado de uma mulher.
Mandelson redigiu uma carta de renúncia no domingo, 1º, onde disse à secretária-geral do partido, Hollie Ridley, que não desejava causar mais “constrangimentos” à sigla.
“Fui ainda mais ligado à compreensível comoção em torno de Jeffrey Epstein nesse fim de semana, e me sinto arrependido por isso”, escreveu o diplomata. “Dediquei minha vida aos valores e ao sucesso do Partido Trabalhista e, ao tomar minha decisão, acredito que estou agindo em seu melhor interesse”.
Na carta, ele pede “desculpas às mulheres e meninas cujas vozes deveriam ter sido ouvidas há muito tempo”.
No que diz respeito a supostos pagamentos enviados por Epstein a Mandelson, presentes na documentação do Departamento de Justiça, o ex-embaixador disse acreditar que as alegações são falsas, mas que precisam ser investigadas por ele, uma vez que afirma “não ter registro ou lembranças”. Os extratos expostos nas peças mostram três depósitos separados de 25 mil dólares em referência ao ex-secretário de negócios britânico enviados das contas bancárias do predador sexual.
A mais recente leva de documentos sobre a ligação Epstein-Mandelson também trouxe imagens do ex-diplomata de roupa íntima ao lado de uma mulher. Em resposta, o político afirmou que “não consegue identificar o local ou a mulher, e não consegue pensar em quais eram as circunstâncias”.
O material exposto pelo Departamento de Justiça mostra Mandelson atuando em favor de Epstein em diferentes momentos, seja tentando modificar políticas governamentais, seja informando sobre movimentações notáveis. E-mails datados de 2009, época em que Mandelson atuava como secretário de negócios no governo do premiê Gordon Brown, apresentam o político assegurando a Epstein que estava “se esforçando” para mudar a política governamental sobre banqueiros a seu favor.
Outra peça, datada de 2010, mostra Mandelson atualizando o notório criminoso sobre a campanha contra o imposto de mineração do então primeiro-ministro da Austrália, Kevin Rudd. Na ocasião, Rudd havia proposto um imposto que tributaria em 40% os “super lucros” obtidos pelas empresas de mineração no país. O e-mail revelado mostrava o político britânico encaminhando a Epstein uma mensagem do chefe da mineradora Xstrata, Mick Davis, discutindo a movimentação.
Pressão
Os novos documentos aumentaram a pressão contra Mandelson no Reino Unido e no exterior. No domingo, o secretário de habitação Steve Reed afirmou que o diplomata tinha a “obrigação moral” de compartilhar o que sabia sobre Epstein para que “as vítimas possam ajudar a encontrar a justiça que lhes foi negada por tanto tempo”.
Para a congressista americana Christine Jardine, do Partido Democrata, Mandelson deveria se oferecer para prestar depoimento ao legislativo dos EUA. “Acho que qualquer pessoa que tenha algum conhecimento do que Epstein estava fazendo tem uma responsabilidade moral com suas vítimas de ajudar as autoridades da forma que puder”, afirmou Jardine.
Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, um porta-voz do Partido Conservador fez duras críticas contra o primeiro-ministro Keir Starmer pela “falta de coragem em agir” após a exposição das relações entre Mandelson e Epstein. “Lord Mandelson está em enorme desgraça, e ainda assim Keir Starmer não teve coragem de agir, permitindo que ele renunciasse ao Partido Trabalhista ao invés de expulsá-lo”, declarou.
O porta-voz também pediu uma investigação sobre a nomeação do diplomata como embaixador em dezembro de 2024. “Dada a terrível falta de julgamento do primeiro-ministro e a participação em sua operação em Downing Street, agora deve haver uma investigação independente completa e minuciosa”, afirmou o político.
A amizade entre Mandelson e Epstein já havia sido exposta no ano passado, quando o Congresso Americano expôs um “livro de aniversário” compilado para o 50º aniversário do criminoso, onde o diplomata britânico o chama de “meu melhor amigo”. Na sequência, a agência de notícias Bloomberg trouxe a público uma série de e-mails trocados pela dupla, mostrando o apoio de Mandelson ao pedófilo. A controvérsia levou à demissão do embaixador pelo premiê Keir Starmer.





