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Polícia israelense invade livraria palestina em Jerusalém Oriental e confisca livros

Donos do estabelecimento são acusados de vender livros que "incitam o terrorismo", incluindo livro infantil de colorir

Por Redação 10 fev 2025, 16h50 •
  • A polícia israelense invadiu uma renomada livraria em Jerusalém Oriente no domingo, 9, alegando que os livros vendidos no local incitavam a violência. Os donos, Mahmoud Muna e seu sobrinho Ahmad Muna, foram presos por “perturbação da ordem pública” e uma outra filial da livraria também foi alvo de apreensão.

    A Educational Bookshop, especializada em livros em árabe e inglês sobre a história de Jerusalém, é um dos maiores centros culturais da cidade, frequentemente visitada por pesquisadores, diplomatas, jornalistas e turistas. Imagens da operação mostram policiais revistando prateleiras, recolhendo livros e espalhando-os pelo chão da loja.

    Nesta segunda-feira, a polícia confirmou as prisões e disse que os estabelecimentos vendiam livros que apoiavam o “terrorismo”, incluindo um livro infantil de colorir intitulado “Do Rio ao Mar”, uma frase usada pelos palestinos sobre a região historicamente chamada Palestina, que hoje inclui Israel e os territórios palestinos da Cisjordânia ocupada e a Faixa de Gaza. A mesma frase, no entanto, costuma ser interpretada por israelenses como uma negação do direito de existência de seu país.

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    As duas unidades da Educational Bookshop ficam em Jerusalém Oriental, área capturada por Israel da Jordânia em 1967 e posteriormente anexada. Israel considera Jerusalém sua capital indivisível, mas a maior parte da população de Jerusalém Oriental é palestina e as Nações Unidas a classificam como um território ocupado.

    A invasão ocorreu na presença de Layla, filha de 11 anos de Mahmoud Muna, e gerou reações de palestinos e diplomatas internacionais, que consideraram a ação como uma tentativa de silenciar a expressão cultural palestina.

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    O embaixador alemão em Israel, Steffen Seibert, expressou solidariedade à família Muna, descrevendo-os como “orgulhosos palestinos de Jerusalém e amantes da paz”. “Eu, como muitos diplomatas, gosto de procurar livros na Educational Bookshop,” escreveu Seibert em sua conta no X.

    O grupo de direitos humanos israelense B’Tselem também condenou a operação, alegando que faz parte de um esforço maior de Israel para silenciar as vozes palestinas. “A tentativa de esmagar o povo palestino inclui o assédio e a prisão de intelectuais”, afirmou o grupo.

    Nesta segunda-feira, 10, a principal filial da livraria continuava fechada, enquanto manifestantes se reuniam em frente ao tribunal, onde ocorria a audiência sobre o pedido da polícia para estender a detenção de Mahmoud e Ahmad Muna por mais oito dias.

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