Polícia de Londres investiga incêndio criminoso em bairro judeu como ataque antissemita
Caso foi registrado em Golders Green, área de Londres conhecida pela forte presença judaica; não houve feridos, e três suspeitos são procurados
A Polícia Metropolitana de Londres investiga como ataque antissemita o incêndio criminoso que atingiu quatro ambulâncias operadas por uma associação judaica da capital do Reino Unido na madrugada desta segunda-feira, 23. Os bombeiros evacuaram inúmeras residências ao redor da área atingida pelas chamas. Nenhuma pessoa ficou ferida.
O incidente aconteceu em Goldens Green, um bairro no norte de Londres conhecido por ser um lar de uma grande comunidade judaica. Imagens de câmeras de segurança mostram três suspeitos mascarados colocando fogo em uma ambulância pertencente à organização Hatzola Northwest, um serviço de emergência médica judaica voluntário.
Em comunicado, a polícia disse ter sido alertada sobre o incêndio por volta de 1h45 da madrugada, horário local (22h45 de domingo, 22, no horário de Brasília). Ao chegar à área atingida, os agentes verificaram que quatro veículos foram danificados pelas chamas. O fogo também resultou na explosão dos cilindros presentes no interior das ambulâncias, provocando a quebra de janelas em um bloco adjacente de apartamentos.
Cerca de 34 pessoas tiveram que ser retiradas de suas casas até que os bombeiros controlassem as chamas. Elas, no entanto, já foram liberadas pelas autoridades para retornar a seus lares. Em entrevista à emissora britânica Sky News, o morador Mark Reisner contou que “foi uma explosão muito alta”, acrescentando: “Você praticamente sente isso no corpo”. Vários vizinhos, segundo Reisner, ficaram “em estado de choque e confusão”.
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Investigações em andamento
De acordo com a Polícia Metropolitana de Londres, o caso está sendo investigado como um crime de ódio antissemita. Nenhuma prisão foi feita até o momento, mas as autoridades seguem à procura dos três suspeitos. Embora a corporação negue que o ataque seja relacionado ao terrorismo, o inquérito sobre o episódio é conduzido pela equipe de investigação antiterrorista da MetPol.
O ataque gerou indignação no Reino Unido, com o secretário de Saúde, Wes Streeting, definindo-o como um “ato de maldade” no coração da comunidade judaica de Londres. Já o ministro da Habitação, Matthew Pennycook, disse que se o atentado fosse confirmado como um crime de ódio, ele não seria “apenas uma afronta à comunidade judaica, mas um ataque a todos nós”.
O primeiro-ministro Keir Starmer também se manifestou, definindo o episódio como “profundamente chocante e antissemita”. Em uma publicação na rede social X (antigo Twitter), o premiê afirmou que seus pensamentos estão com a comunidade judaica, “que acorda nesta manhã com esta terrível notícia”. Ele também salientou que “o antissemitismo não tem lugar em nossa sociedade”.
Nos últimos anos, o Reino Unido tem registrado uma preocupante alta no número de ataques antissemitas. Dados da ONG britânica Community Security Trust revelaram que cerca de 3.700 atos antissemitas foram registrados no território britânico em 2025. O número representa um aumento de 4% na comparação com 2024 e é o segundo maior total anual de casos já computado pela organização.





