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Petrobras está entre 36 empresas que emitem metade do CO2 no mundo

Relatório pode fortalecer a responsabilização das gigantes do petróleo e gás pela crise climática

Por Júlia Sofia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 5 mar 2025, 11h52 •
  • Apenas 36 empresas de combustíveis fósseis foram responsáveis por metade das emissões globais de dióxido de carbono em 2023, segundo um relatório do Carbon Majors divulgado nesta quarta-feira, 5. O levantamento expõe o impacto desproporcional da poluição gerada por gigantes do setor, como Saudi Aramco, ExxonMobil, Shell e a brasileira Petrobras, e reacende o debate sobre a responsabilização dessas corporações pela crise climática.

    O estudo, que analisou as emissões de 169 grandes empresas, revelou que a queima de carvão, petróleo e gás extraídos por essas companhias despejou mais de 20 bilhões de toneladas de CO2 na atmosfera no ano passado. Se a Saudi Aramco fosse um país, ocuparia o quarto lugar no ranking de maiores poluidores do mundo, atrás apenas de China, Estados Unidos e Índia. Já a ExxonMobil produziu sozinha o equivalente a todas as emissões anuais da Alemanha.

    A ciência climática não deixa dúvidas: para evitar que o aquecimento global não passe de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais, limite estabelecido no Acordo de Paris de 2015, as emissões precisam cair 45% até 2030. No entanto, a tendência segue no sentido oposto. Em 2023, o planeta registrou o ano mais quente já documentado, com termômetros impulsionados pelo uso crescente de combustíveis fósseis.

    “Essas empresas estão mantendo o mundo viciado em petróleo, carvão e gás, sem qualquer plano real de desacelerar (a produção)“, criticou Christiana Figueres, ex-secretária da Convenção do Clima das Nações Unidas.

    O relatório destaca ainda que a maioria das empresas do setor ampliou sua produção, ignorando os alertas da Agência Internacional de Energia (AIE). O órgão já advertiu que novos projetos de exploração iniciados após 2021 são incompatíveis com a meta de zerar emissões líquidas de carbono (CO2 produzido versus CO2 capturado da atmosfera) até 2050.

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    A inação do setor tem levado governos a endurecerem sua postura. Nos Estados Unidos, estados como Nova York e Vermont estão processando empresas de combustíveis fósseis para cobrar compensações por danos ambientais. Algumas iniciativas, mais radicais, cogitam até a responsabilização criminal de executivos dessas companhias.

    Procuradas, algumas empresas reagiram ao estudo. A Shell afirmou que mantém o compromisso de atingir emissões líquidas zero até 2050 e destacou investimentos em novas tecnologias para reduzir sua pegada de carbono. A Saudi Aramco optou por não se pronunciar, enquanto ExxonMobil, Chevron e BP, não se pronunciaram.

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