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Petro mobiliza tropas na fronteira com a Venezuela após ofensiva dos EUA

Presidente colombiano classifica ação americana como violação da soberania regional, alerta para risco humanitário e pede reuniões urgentes

Por Ernesto Neves 4 jan 2026, 08h31 • Atualizado em 4 jan 2026, 09h55
  • O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, ordenou neste sábado (3) a mobilização de forças militares e policiais na fronteira com a Venezuela, em reação aos ataques conduzidos pelos Estados Unidos contra o território venezuelano, que culminaram, segundo o governo Donald Trump, na captura do presidente Nicolás Maduro.

    Em pronunciamentos nas redes sociais e em declarações oficiais, Petro classificou a operação americana como uma “agressão à soberania da América Latina” e afirmou que a escalada militar pode provocar uma nova crise humanitária na região, marcada por fluxos migratórios, presença de grupos armados e economias ilegais transfronteiriças.

    Embora tenha defendido publicamente uma saída diplomática para o impasse, o presidente colombiano determinou o “desdobramento da força pública” ao longo da extensa fronteira de mais de 2.200 km entre os dois países, uma área historicamente instável e atravessada por guerrilhas, dissidências das Farc, grupos paramilitares e organizações ligadas ao narcotráfico.

    Segundo o Ministério da Defesa colombiano, a medida tem caráter preventivo e visa impedir incursões de grupos armados ilegais e possíveis ações terroristas em meio ao vácuo de poder e à tensão gerada pelos ataques. O ministro Pedro Sánchez afirmou que “todas as capacidades operacionais” foram ativadas para garantir a segurança da população civil.

    Até o início da tarde de sábado, observadores da AFP relataram normalidade nos principais postos fronteiriços, apesar do aumento visível da presença militar.

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    Pressão diplomática

    Mais cedo, Petro havia solicitado uma convocação “imediata” da Organização dos Estados Americanos (OEA) e do Conselho de Segurança da ONU para discutir a legalidade da ação militar americana.

    A Colômbia ocupa atualmente uma cadeira rotativa no Conselho de Segurança, o que, segundo o governo, reforça sua responsabilidade de provocar o debate multilateral.

    O presidente evitou comentar diretamente a prisão de Maduro, aliado político com quem restabeleceu relações diplomáticas em 2022, após anos de ruptura entre Bogotá e Caracas durante governos anteriores.

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    Ainda assim, reforçou que mudanças de regime impostas por força militar violam o direito internacional e criam precedentes perigosos para a região.

    Escalada regional

    A reação colombiana ocorre em meio a um amplo reposicionamento militar dos Estados Unidos no Caribe e no norte da América do Sul. Desde o início do novo mandato, Trump ampliou operações navais e aéreas sob o argumento de combate ao narcotráfico, estratégia que já havia sido criticada por Petro como uma forma velada de intervenção.

    Em declarações recentes, o presidente americano chegou a afirmar que não descartava ataques a laboratórios de drogas em países vizinhos, incluindo a Colômbia — hipótese que Petro classificou como “ameaça de invasão”.

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    Analistas ouvidos por agências internacionais afirmam que a Colômbia teme um efeito dominó: colapso institucional na Venezuela, intensificação da violência nas áreas de fronteira e uma nova onda migratória, semelhante à observada após o agravamento da crise venezuelana a partir de 2017.

    Segundo dados da ONU, a Colômbia abriga hoje mais de 2,8 milhões de venezuelanos, o maior contingente fora do país.

    Enquanto governos de esquerda na América Latina, como Brasil, Chile e México, manifestaram preocupação com a ação americana, países liderados por administrações conservadoras adotaram um tom mais cauteloso ou favorável à ofensiva.

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