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Pentágono calcula que retirar minas de Ormuz pode levar até seis meses

Quase 20% do petróleo e gás consumidos em todo o mundo transitavam por esta via crucial antes do conflito, iniciado em 28 de fevereiro

Por Caio Saad Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 23 abr 2026, 08h38 | Atualizado em 23 abr 2026, 08h59

O processo de retirada de minas no Estreito de Ormuz pode levar até seis meses, o que teria um impacto sobre o preço de combustíveis em todo o planeta, considerou o Departamento de Defesa dos Estados Unidos durante apresentação confidencial ao Congresso dos Estados Unidos, informou o jornal Washington Post na quarta-feira, 22.

Segundo o jornal, com base em três fontes anônimas ligadas às discussões no Congresso, os parlamentares americanos teriam sido “informados de que o Irã pode ter instalado 20 minas ou mais no Estreito de Ormuz e em suas imediações”.

Segundo a apresentação de uma fonte do Departamento da Defesa, “algumas foram colocadas na água, à distância, graças à tecnologia GPS”, o que dificulta a detecção. Outras teriam sido instaladas com “embarcações pequenas”.

O Estreito de Ormuz está praticamente fechado desde o início da guerra em 28 de fevereiro, iniciada por bombardeios dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Quase 20% do petróleo e gás consumidos em todo o mundo transitavam por esta via crucial antes do conflito.

“Um fechamento de seis meses do Estreito de Ormuz é uma impossibilidade e algo completamente inaceitável”, afirmou um porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, em um comunicado enviado à agência de notícias AFP no qual desmente a notícia. Parnell destacou que a notícia é baseada em uma “sessão confidencial de informações, a portas fechadas” e que vários pontos são “falsos”.

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A movimentação se dá em meio às indefinições em torno do Estreito de Ormuz. Na quarta-feira, o principal negociador do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que um cessar-fogo total só faz sentido se os Estados Unidos encerrarem o bloqueio naval aos portos iranianos. A declaração veio horas depois de a Guarda Revolucionária Islâmica interceptar e apreender dois navios comerciais no rota.

Para Teerã, as restrições impostas por Washington configuram uma “violação flagrante” da própria trégua, anunciada na véspera pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Em publicação nas redes sociais, Ghalibaf afirmou que a reabertura do Estreito de Ormuz é “impossível” enquanto persistirem ações que classificou como violações do cessar-fogo, incluindo o bloqueio naval americano e o que chamou de “beligerância sionista”. Segundo ele, “os Estados Unidos e Israel não alcançaram seus objetivos por meio de agressão militar, nem o farão por intimidação”.

A reação iraniana ocorre após Trump anunciar a prorrogação por tempo indeterminado da trégua, a pedido do Paquistão, que atua como mediador nas negociações. Uma rodada de conversas foi realizada em Islamabad, mas terminou sem avanços concretos.

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