Partido Nacionalista de Bangladesh vence 1ª eleição desde revolta da Geração Z em 2024
Resultado abre caminho para que o líder da legenda, Tarique Rahman, assuma o cargo de primeiro-ministro
O Partido Nacionalista de Bangladesh (BNP), da oposição, venceu com ampla vantagem as eleições parlamentares nesta sexta-feira, 13, retornando ao poder após quase duas décadas. O resultado abre caminho para que o líder da legenda, Tarique Rahman, assuma o cargo de primeiro-ministro em meio à tentativa do país de superar meses de instabilidade política e crise econômica.
De acordo com a Comissão Eleitoral, o BNP e seus aliados conquistaram ao menos 212 das 299 cadeiras em disputa no Jatiya Sangsad, o Parlamento de Bangladesh. A aliança liderada pelo Jamaat-e-Islami ficou com 77 assentos. Já o Partido Nacional do Cidadão (NCP), formado por jovens ativistas que tiveram papel central na queda do governo anterior, elegeu cinco deputados entre os 30 candidatos que lançou.
A votação é considerada a primeira disputa verdadeiramente competitiva no país em anos. A participação superou os 42% registrados em 2024 e, segundo estimativas da imprensa local, aproximou-se de 60% do eleitorado.
Rahman, de 60 anos, ainda não se pronunciou publicamente sobre a vitória. Ele foi visto deixando sua residência em Dhaka em direção a uma mesquita, acenando a apoiadores sem falar com a imprensa. Em comunicado, o BNP orientou seus apoiadores a evitarem celebrações públicas e a realizarem orações especiais.
Paralelamente às eleições legislativas, um referendo sobre reformas constitucionais foi realizado. Entre as propostas estão a limitação de dois mandatos para o cargo de primeiro-ministro, maior independência do Judiciário, ampliação da representação feminina, criação de governos interinos neutros durante períodos eleitorais e a instituição de uma Senado com 300 cadeiras. O resultado oficial da consulta ainda não foi divulgado.
Quem é Tarique Rahman
Filho da ex-primeira-ministra Khaleda Zia e do ex-presidente Ziaur Rahman, assassinado em 1981, Tarique Rahman é presidente do BNP e uma das figuras mais influentes da oposição nos últimos anos.
A carreira de Rahman foi marcada por alegações de nepotismo e corrupção por rivais políticos. Em 2007, ele foi preso por acusações de corrupção durante um governo interino apoiado por militares e disse que foi torturado enquanto aguardava julgamento. Ele passou 18 meses na prisão antes de ser libertado e depois deixou o país e foi para Londres.
O político assume a liderança do país em um cenário de reconstrução política e econômica, com o desafio de restaurar a estabilidade institucional e reposicionar Bangladesh no cenário regional.
A vitória também ocorre em meio à disputa por influência entre Índia, China e Estados Unidos no país. O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, o premiê paquistanês, Shehbaz Sharif, e o embaixador norte-americano em Dhaka, Brent T. Christensen, estão entre as primeiras autoridades a parabenizarem Rahman pela vitória de seu partido.
Instabilidade política
O novo governo assume após a queda da ex-primeira-ministra Sheikh Hasina, em 2024, depois de meses de protestos violentos liderados pela juventude da Geração Z que afetaram a rotina do país e setores estratégicos da economia, incluindo a indústria têxtil. A repressão deixou cerca de 1.400 mortos, segundo as Nações Unidas, e mergulhou o país em crise política e econômica. Desde então, um governo interino liderado pelo Nobel da Paz Muhammad Yunus está à frente da administração.
Bangladesh, nação de maioria muçulmana com cerca de 175 milhões de habitantes, é o segundo maior exportador mundial de vestuário. A retomada da produção e a recuperação da confiança de investidores são apontadas como prioridades imediatas. No manifesto eleitoral, o BNP prometeu focar na geração de empregos, na proteção de famílias de baixa renda e na garantia de preços justos aos agricultores.





